Publicidade
SÃO PAULO – O horário do almoço é considerado por muitos como um dos piores momentos para se operar na BM&FBovespa. Por volta das 12h00 (horário de Brasília), é comum ver o volume se enfraquecendo nos minutos seguintes, conforme os responsáveis por grandes movimentações na bolsa se ausentam.
Não apenas uma grande parte dos traders tomam uma breve folga, como também os responsáveis por investidores institucionais e fundos. Por conta dessa ausência, é comum ver ações, ou o próprio Ibovespa, mostrando uma volatilidade acima do normal: é o caso da OGX Petróleo (OGXP3) nesta sexta-feira (22), que no horário do almoço chegou a tocar os R$ 3,70 e os R$ 3,59 – mostrando uma amplitude de 2,97% em menos de meia hora. Depois do fundo, os papéis ganharam um pouco de força e chegaram a tocar os R$ 3,65.
Menos ordens significa menos liquidez, e uma ordem muito grande pode ajudar a distorcer muito mais do que em momentos de forte liquidez. Nesse horário, há menos pessoas operando, permitindo que o preço tenha maiores variações nestes momentos. “No almoço, é costume que o volume diminua pela metade frente ao que é visto na manhã e no final da tarde, momentos de maior movimentação na BM&FBovespa”, destaca um operador que não pôde ser identificado.
É como se uma ação menos líquida passasse por uma forte pressão vendedora, o natural é que não haja liquidez o suficiente para segurar esse movimento. Assim, para conseguir fechar ordens maiores, os vendedores e compradores precisam ser mais flexíveis em relação ao preço, e a falta de investidores faz com que as ordens, para serem fechadas, peguem preços cada vez mais extremos.
Brasil x EUA
Nos EUA, a liquidez é garantida pela forte penetração das tecnologias de high frequency trading, que representam cerca de 80% – número bastante superior ao Brasil, onde essas tecnologias não representam nem 20% do mercado. A tendência é que a BM&FBovespa também veja esse tipo de tecnologia se fortalecer, já que além de ser uma forma interessante para os traders, é uma boa maneira para a bolsa obter receitas maiores – e deverá ser estimulada.
A abertura da bolsa dos EUA também é um momento em que a volatilidade se eleva: a entrada dos estrangeiros no mercado nacional, seja por exposição direta ou negociação de ADRs (American Depositary Receipts) – cuja movimentação interfere nas ações nacionais – costuma também trazer volatilidade, mas pelo motivo contrário, pelo crescimento da liquidez.
Continua depois da publicidade
Atualmente, as bolsas norte-americanas abrem as 11h30, mas quando o horário de verão estava em voga, a abertura era 12h30 – em pleno de horário de almoço. A entrada dos estrangeiros no meio deste horário tornou a volatilidade do período ainda mais forte, já que era comum ver os papéis e o próprio índice mudando de sinal por conta disso.
Operar neste horário
Com isso, entrar na bolsa neste horário tem suas vantagens e desvantagens claras. Para aqueles que querem se aproveitar do movimento em operações de day trade, este horário permite que os investidores encontrem mais “barganhas” antes que outros investidores as peguem, causadas justamente pela volatilidade do horário.
Contudo, esse mesmo fator é uma desvantagem pelo fato de que nem sempre o preço representa a precificação exata daquela ação por parte do mercado – o que pode trazer surpresas desagradáveis aos investidores nos próximos dias. Desta forma, entende-se que pelo fato de haver distorções no mercado, há mais risco.