E o dólar? Por que não pára de cair?

Sócio-diretor da Global Invest atribuiu a recente trajetória do dólar ao elevado patamar dos juros e do saldo comercial; cenário externo também favorece

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SÃO PAULO – Por que o dólar não pára de cair? Esta foi a pergunta que Fernando Pinto, sócio-diretor da Global Invest Asset Management, procurou responder em palestra ministrada na última terça-feira.

Segundo Fernando Pinto, mais que atrair capitais, os juros altos praticados internamente favorecem o carregamento de posições vendidas em dólares. Ademais, o elevado superávit comercial contribui de forma expressiva para a recente trajetória de valorização do real.

Saldo na balança vem batendo recordes

Neste cenário, é interessante observar que, considerando dados até a terceira semana de outubro, o saldo na balança comercial brasileira já acumula mais de US$ 35 bilhões ao longo de 2005, desempenho superior aos US$ 33,696 bilhões apresentados em 2004.

Surge então uma outra questão bastante relevante: por que, mesmo com a recente apreciação do real, o superávit da balança comercial não dá sinais de retração? De acordo com o sócio-diretor da Global Invest, a manutenção do saldo comercial em patamar elevado está associada aos altos preços das commodities, ao fato de que a demanda global permitiu reajuste de preços em dólar, à necessidade de manter clientes externos já conquistados e ao acesso de mais empresas ao mercado externo.

Cenário internacional contribui para queda do dólar

Por fim, Fernando Pinto lembrou que o cenário internacional também colabora para a desvalorização do dólar frente ao real, uma vez que o crescimento da economia mundial e os juros baixos nas economias centrais são sinônimos de financiamento garantido para os países emergentes.
Cabe ainda destacar que a moeda norte-americana vem mostrando desvalorização mundo afora, o que tende a influenciar de forma significativa a cotação da divisa frente ao real.