Publicidade
SÃO PAULO – Se estes fossem tempos comuns, a reunião do Federal Reserve seria apenas mais uma referência na agenda desta terça-feira (10). Mas estes não são tempos comuns: com os crescentes sinais de desaceleração da recuperação econômica e o temor cada vez mais consistente de uma pressão deflacionária nos Estados Unidos, a reunião do banco central norte-americano é o ponto alto da sessão.
Na expectativa pela decisão do Fed, as bolsas europeias recuam quase 1%. O mercado futuro de Wall Street acompanha a queda, com os futuros dos índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 negociados na CME (Chicago Mercantile Exchange) caindo 0,53%, 0,59% e 0,72%, respectivamente.
Reunião do Fed
O consenso permanece sendo de manutenção do juro básico no patamar entre 0% e 0,25% ao ano, o que vem sendo feito há 13 reuniões consecutivas. A dúvida é se haverá novos estímulos na forma de flexibilização quantitativa, com a compra de Treasuries, ou se o Fomc (Federal Open Market Committee) fará mudanças significativas em seu comunicado. As apostas estão na mesa e dividem os analistas, mas, segundo o Bank of America Merrill Lynch, é difícil haver qualquer mudança nos rumos da política do Fed, o que provavelmente trará decepção aos mercados nesta terça-feira.
A decisão deve ser divulgada às 15h15 (horário de Brasília). Enquanto isso, os investidores avaliam outras referências da agenda econômica norte-americana. Serão divulgados durante a manhã o Wholesale Inventories, com informações sobre as vendas e os estoques do setor atacadista norte-americano, e o número preliminar do Productivity & Costs, medindo a produtividade da mão de obra não agrícola dos EUA.
Cenário internacional em foco
Na Ásia, a política monetária japonesa também chama a atenção. O BoJ (Bank of Japan) decidiu por unanimidade manter a taxa básica de juros no país por volta de 0,1% ao ano. A autoridade monetária reconheceu que o Japão enfrenta um “desafio crítico” em relação à deflação e à retomada do crescimento sustentado.
Mas é da China que vêm as piores notícias. A balança comercial do país atingiu a máxima dos últimos 18 meses, terminando julho em US$ 28,7 bilhões. As importações subiram 22,7%, abaixo dos 30% esperados pelos analistas, o que eleva os temores sobre a desaceleração da demanda chinesa. Já as exportações aumentaram 38,1% na base anual.
Continua depois da publicidade
Outro país que ocupa as manchetes nesta manhã é a Rússia. Com a continuidade dos incêndios e da seca no país, o custo da situação pode chegar a 1% do PIB (Produto Interno Bruto) russo, ou US$ 15 bilhões no total.
Commodities e câmbio
Acompanhando a maior cautela do mercado, as commodities também registram um dia de desvalorização. O petróleo cai cerca de 2% em Londres e Nova York, enquanto o cobre e o trigo são negociados em quedas de mais de 2,5% no mercado londrino.
A aversão ao risco também traz um dia de alta ao dólar, que ganha atratividade como porto seguro diante das preocupações com a recuperação da economia. A divisa norte-americana sobe frente às principais moedas internacionais, como libra esterlina e euro.
Continua depois da publicidade
Brasil
Por aqui, a agenda trouxe o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) da primeira quadrissemana de agosto, que apontou inflação de 0,20%, taxa 0,03 ponto percentual superior à vista na mediação anterior. Os dados foram publicados pela Fipe (FundaçãoInstituto de Pesquisas Econômicas).
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou ainda que o emprego industrial avançou 0,5% na passagem de maio para junho. Na base anual, o emprego no setor avançou 4,9%, “quinta taxa positiva consecutiva e a mais elevada desde o início da série histórica”.
No plano corporativo, destaque para a GOL, que acumulou um prejuízo líquido de R$ 51,9 milhões no segundo trimestre de 2010. Um ano antes, a empresa aérea havia registrado lucro de R$ 353,7 milhões. Já a ALL Logística viu seu lucro líquido subir 126,9%, para R$ 136,4 milhões no período de abril a junho de 2010, enquanto os ganhos da Itaúsa subiram 17,5%, para R$ 1,185 bilhão.