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SÃO PAULO – A associação das fabricantes de painéis de madeira industrializada – MDP (Medium Density Particleboard) e MDF (Medium Density Fiberboard) – Duratex (DURA4, DURA3) e Satipel (SATI3) vai formar uma plataforma de capacidade que trará ganhos importantes de escala da produção, fundamentais para obter diferenciais de custo, além de sinergias e complementaridades de negócios e geográfica, segundo Plínio Pinheiro, vice-presidente da Duratex.
Em entrevista à InfoMoney nesta segunda-feira (22), o executivo falou sobre a negociação, concluída em cerca de quatro meses, e mostrou confiança na nova “Duratex S.A”, sob uma ótica de longo prazo. “A empresa nasce muito bem capitalizada. Isso permite expansões e crescimentos futuros, internos ou internacionais de forma mais tranquila”. Tomando como base dados de março, a nova companhia tem um caixa entre R$ 450 e R$ 500 milhões, e uma dívida consolidada líquida na faixa de R$ 800 milhões.
A origem da maior indústria de painéis de madeira do Hemisfério Sul, com receita de R$ 3,3 bilhões – baseado em dados pró-forma de 2008 -, vem da assinatura de contrato por Itaúsa (ITSA4, ITSA3), controladora da Duratex, e Ligna de Investimentos, controladora da Satipel. A reorganização societária envolve a incorporação da Duratex pela Satipel, com substituição das ações da primeira por papéis ON da segunda. Ou seja, estará automaticamente no Novo Mercado da BM&F Bovespa.
“Isso vai dar um upgrade para os acionistas. O dividendo mínimo de 30% vai ser mantido, então já nasce com uma governança corporativa muito interessante. E vai ser mantido 40% das ações no mercado, garantindo liquidez”, assinalou Pinheiro. O mercado agradeceu: em pregão ruim para o Ibovespa, os ativos das empresas subiram forte.
Objetivos
Uma das primeiras vantagens da operação, conforme o vice-presidente, se concentra nos produtos. A Duratex era o maior produtor de MDF do Brasil, com capacidade de aproximadamente 1,4 milhão m3 ao ano; e a Satipel tinha uma capacidade de 350 mil m3 ao ano de MDF. Por outro lado, no MDP, a Duratex carrega uma capacidade de 500 mil m3 ao ano, enquanto a Satipel tem 1,4 milhão m3 ao ano.
“Você complementa essas capacidades. Todas essas linhas são modernas. A Satipel inaugurou recentemente uma linha de MDF e está agora inaugurando uma de MDP. E a Duratex lançou neste mês a maior de MDF do mundo – concluindo um plano de investimento”, destaca.
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Além disso, há a complementaridade na parte de atendimento ao mercado. As fábricas da Duratex são todas no estado de São Paulo, com atuação nos pólos moveleiros em SP e, em menor intensidade, em outros estados do Sul. Já as fábricas da Satipel ficam em Uberaba (MG) e no Rio Grande do Sul, atendendo tanto o mercado mineiro, como Brasília, Espírito Santo e Nordeste, além do Sul propriamente dito.
Quanto aos potenciais ganhos de sinergia, Pinheiro apontou a verticalização de atividades florestais, melhor administração de estoque das fábricas, avanços na área de logística, negociação de fretes, e racionalizações do setor administrativo e do comercial. No âmbito florestal, a Duratex S.A. é auto-suficiente na produção de madeira.
Conversas
As negociações começaram no início do ano. A Satipel procurou a Duratex para verificar os interesses e conversar sobre uma eventual associação. Ambas estavam inspiradas no que havia acontecido naquele momento com Itaú Unibanco (ITUB4, ITUB3), onde também houve uma união com troca de ações.
“Refletimos e vimos vantagens através de diversos estudos. Houve uma aproximação para ver se batia a filosofia e visão de mercado dos controladores. Felizmente descobriu-se que a visão de ambos era muito semelhante no sentido de respeito aos colaboradores, geração de valor e visão de longo prazo”, afirmou o vice-presidente da Duratex.
Para se ter uma ideia, todos os controladores assinaram o compromisso de não vender as ações de controle por um período de cinco anos. Lock ups em IPOs (oferta iniciais de ações) normalmente duram um ano. Questionado sobre eventuais problemas com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o executivo mostrou tranquilidade.
“Fizemos antes do fechamento da associação uma análise com consultores e especialistas. Eles acham que, dada concentração da ordem de 40%, nove concorrentes no mercado, concorrentes estrangeiros e a possibilidade de importar o produto, a visão geral é de que não haja problemas”.