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SÃO PAULO – O debate sobre se a saída de capitais do Brasil deve continuar ou se é apenas um movimento passageiro foi colocada na mesa. Analistas se mostram cada vez mais divididos se a queda das ações brasileiras irá continuar ou se esta situação, que se refletiu na queda de cerca de 19% do benchmark da bolsa brasileira, ante queda de 9% do MSCI Emerging Markets, será apenas temporária.
Em entrevista à CNBC, o chefe de pesquisa para os mercados emergentes do Banco Espírito Santo, José Martins Soares, o declínio criou valor em potencial para as ações brasileiras pela primeira vez em um longo período de tempo.
“O Brasil vem sofrendo com expectativas de um crescimento forte e, até uma certa proporção, os investidores têm se decepcionado. Mas, se você olhar mais de perto, o consumo ainda está presente, assim como o crescimento do salário real. A economia brasileira enfrenta uma situação de pleno emprego, situação esta em que várias nações europeias gostariam de passar”, aponta Soares.
Soares destacou ainda que as instituições brasileiras e as ações de empresas do segmento de mineração oferecem um valor bastante atrativo no presente. Neste cenário, ele destaca a preferência pelas ações do Itaú Unibanco (ITUB4) – que, para ele, devem ter uma performance melhor frente a seus pares – além da Vale (VALE3;VALE5) e da Cemig (CMIG4).
Para Morgan Stanley, problemas continuam
Por outro lado, o Morgan Stanley segue na expectativa de que o Brasil seja um dos países emergentes que deve sofrer mais com a diminuição do ritmo de compras dos títulos norte-americanos pelo Federal Reserve.
O economista do banco, Manoj Pradham, mantém a recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado) para o País, tomando como base o cenário macroeconômico bastante desafiador e o risco corrente. Neste cenário, os setores de mineração são os mais expostos.
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Ele acrescentou que as ações brasileiras estão atualmente em um “ponto complicado”, com o crescimento a médio prazo e as perspectivas de rentabilidade para as empresas brasileiras seguindo bastante “desafiadoras”. Um cenário de parada súbita de capitais e a volatilidade dos preços de commodities em um cenário de fraca demanda externa e doméstica deixa o setor mais vulnerável, afirmou.