Dubai alastra receios de moratória e perdas dão o tom da manhã nas bolsas

Fundo gerido pelo governo do país pode não conseguir honrar US$ 59 bilhões e preocupa, em dia marcado por feriado nos EUA

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SÃO PAULO – Enquanto o feriado de Ação de Graças paralisa os mercados norte-americanos, o resto do mundo se depara com uma manhã de quinta-feira (26) negativa, no lastro do receio de que o Dubai não honre seus compromissos e venha a declarar moratória, assim como a Argentina em 2001.

Gerido pelo governo, o fundo de investimento Dubai World requisitou aos seus credores uma extensão do prazo de pagamento de suas dívidas, que já somam US$ 59 bilhões. A notícia preocupa os investidores, que fogem dos negócios atrelados ao país.

É o caso da London Stock Exchange, cujo maior acionista é a Borse Dubai e que, com isso, assiste seus papéis despencarem, puxando consigo o desempenho da bolsa londrina e do restante dos mercados europeus.

Recomendações negativas

Dada a falta de indicadores econômicos agendados para a sessão, outro foco de referências desfavoráveis nesta manhã provém do Goldman Sachs. O banco não realizou qualquer aquisição, tampouco divulgou novas projeções ou resultados, mas seus analistas lançaram mão de uma série de recomendações negativas sobre outros papéis.

As ações da seguradora Legal & General caem mais de 4%, após a equipe ter rebaixado sua sugestão de “neutro” para “venda”. O mesmo vale para a Saint-Gobain, cujos papéis passaram a receber recomendação de “venda” pelo Goldman Sachs e agora caem 3,5%.

Commodities e câmbio

O clima de perdas nas bolsas se estende também ao mercado de commodities: matérias-primas como ouro, cobre e petróleo operam em trajetória de queda na manhã desta quinta-feira, em parte também devido a um movimento de correção frente à forte valorização registrada no pregão anterior.

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No mercado cambial, nenhuma tendência definida é constatada por ora. O dólar opera em alta em relação ao euro, enquanto que, no Japão, a moeda norte-americana registra seu menor valor frente ao iene nos últimos 14 anos.

Projeções

Grande referência do mercado acionário mundial, Wall Street não se fará presente nesta quinta-feira e, com isso, o dia deve ser mesmo de baixa liquidez nas principais bolsas, inclusive na brasileira. A equipe da Ágora Corretora acrescenta também o alto patamar em que se encontra o Ibovespa, facilitando ainda mais um movimento de correção por aqui.

Para muitos, a sexta-feira também deverá ser marcada por um fraco volume de negócios. Desta forma, os analistas da InvestorGuide traçam suas expectativas para o desempenho dos mercados nas semanas que estão por vir.

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Na opinião da equipe, o comportamento das bolsas no curto prazo deverá ser ditado basicamente pelo desempenho do setor de comércio norte-americano na temporada de feriados de final de ano, “um ótimo termômetro do consumo nos EUA”.

Referências domésticas

Feriado nos EUA pode trazer um volume menor de negócios à bolsa brasileira, mas não impede uma agenda econômica repleta de indicadores de peso por aqui. Nesta manhã, foi divulgado o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor), que registrou inflação de 0,44% em novembro.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também publicou a Pesquisa Mensal de Emprego, mostrando queda na taxa de desemprego do País de 7,7% em setembro para 7,5% em outubro. Por fim, o Banco Central deve anunciar ainda nesta sessão a Nota de Política Fiscal do mês passado.

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O calendário de ofertas é outro que também não para. As ações ordinárias da Energias do Brasil (ENBR3), distribuídas pela empresa em sua oferta secundária, estréiam nesta quinta-feira na BM&F Bovespa, após terem sido precificadas na última sessão a R$ 28,50.