Duas “small caps” do varejo disparam entre 20% e 40%; holding da Vale afunda 6%

Confira os principais destaques da Bovespa na sessão do retorno do feriado de Natal

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SÃO PAULO – O Ibovespa foi pressionado pelos papéis de empresas de commodities nesta segunda-feira (28), em sessão marcada por baixo volume de negócios, em semana reduzida pelo feriado do Ano Novo, que manterá a Bovespa fechada na quinta e sexta-feira. 

As ações da Petrobras e Vale apareceram entre as maiores quedas do índice. A Petrobras foi pressionada pela forte desvalorização do petróleo e possível redução no preço da gasolina, enquanto a mineradora recuou apesar da alta do minério de ferro nesta sessão. A holding Bradespar caiu quase 6%. Após o fechamento do pregão, a Petrobras informou que concluiu a venda de 49% da Gaspetro à Mitsui e recebeu R$ 1,93 bilhão.   

Ainda nos destaques da Bolsa, as ações da Localiza caíram forte com a possibilidade de entrada de um novo player no setor, enquanto a Oi disparou em meio a rumor de que a operadora poderá apresentar proposta à Telecom Italia no começo do ano que vem para realizar a fusão com a TIM Brasil, com apoio do fundo russo LetterOne. Fora do Ibovespa, duas “small caps” do setor de varejo mostraram alta entre 21% e 37% nesta sessão, sem motivo aparente. Analistas comentavam que a falta de liquidez do mercado neste pregão ajudava a trazer distorções em alguns papéis.  

Confira os principais destaques da Bovespa nesta segunda-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 8,61, -3,04%; PETR4, R$ 6,70, -3,32%)
As ações da Petrobras acentuaram as perdas nesta tarde, juntamente com os preços do petróleo no mercado internacional e notícias de que a companhia poderia reajustar para baixo o preço da gasolina no ano que vem. Lá fora, o petróleo brent, usado como referência pela estatal, recuava 3,11%, a US$ 36,71 o barril, indo para perto da mínima de 11 anos, sob pressão do excesso de oferta que reduziu em mais da metade o valor da commodity desde meados de 2014. O movimento do petróleo hoje refletia afirmação do Irã de que aumento da exportação da commodity é prioritário.

Segundo informações do jornal O Globo, a forte queda nos preços internacionais do petróleo pode levar a Petrobras a reduzir os preços da gasolina e do óleo diesel no início do ano que vem. Segundo uma fonte próxima à estatal disse à reportagem, a companhia vai realizar no final do mês avaliação das cotações internacionais de petróleo e de demais variáveis que compõem a fórmula dos preços de combustíveis no mercado interno, como câmbio. 

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Apesar da queda do petróleo, uma outra fonte da estatal disse ao jornal que seria muito difícil a Petrobras reajustar os preços agora, já que mantê-los elevados seria a única forma da companhia melhorar seu caixa. 

Na mesma linha, a equipe de análise da XP Investimentos disse hoje, em nota a clientes, que considera difícil uma redução dos preços, lembrando que, se por um lado, a companhia ganha com os preços de derivados, por conta do prêmio em relação aos preços internacionais; de outro, perde por conta do petróleo com preço mais baixo no segmento de exploração e produção. Segundo cálculos da corretora, atualmente, os preços de combustíveis e gasolina está com um prêmio de 25% e diesel de 40% em relação aos preços internacionais. Os analistas acrescentam ainda que, com os custos de extração, participação governamental e royalties, alguns blocos podem não se tonar viáveis com o petróleo nesse patamar.

Após o fechamento do pregão, a estatal comunicou que concluiu a venda de 49% da subsidiária Gaspetro à japonesa Mitsui, tendo recebido R$ 1,93 bilhão em pagamento pelo negócio nesta segunda-feira. 

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Oi (OIBR4, R$ 2,01, +4,69%)
As ações da Oi amenizaram ganhos depois de ter disparado 13% nesta manhã, em meio a rumor de que a operadora poderá apresentar proposta à Telecom Italia no começo do ano que vem para realizar a fusão com a TIM Brasil, com apoio do fundo russo LetterOne, segundo informações do Valor.

A reportagem diz que o conselho de administração da Oi vai aprovar a contratação de uma instituição financeira para atuar junto com o BTG Pactual na assessoria financeira para a operação com a Telecom Italia e o fundo russo LetterOne na compra da TIM Brasil. Paralelamente, a companhia vai buscar empréstimos em meio à sua corrida financeira, com vencimentos de R$ 11,4 bi previstos para 2016. 

Nesta tarde, o conselho de administração da companhia aprovou, com ressalvas, a proposta do fundo russo de fazer aporte de até US$ 4 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões) na Oi com o objetivo de possibilitar a fusão com a TIM. Segundo fonte que pediu anonimato disse ao jornal O Globo, foram pedidas mudanças quanto ao tempo de conclusão da oferta de fusão e às garantias. 

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Vale (VALE3, R$ 12,64, -4,39%; VALE5, R$ 10,09, -4,09%)
As ações da Vale caíram nesta segunda-feira, contrariando a alta do preço do minério de ferro. O contrato mais ativo da commodity, o maio, subiu 1,5% na bolsa de Dalian, fechando em 309 iuanes (ou US$ 47,64) por tonelada, após encerrar em alta pela segunda semana consecutiva na sexta-feira. Acompanharam o movimento de queda as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 4,91, -5,94%), holding que detém participação na Vale. 

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o diretor presidente da Samarco, joint venture entre Vale e BHP Billiton, Ricardo Vescovi, disse que, mesmo que a mineradora volte a operar em Mariana, Minas Gerais, nos próximos anos, a barragem que ruiu em 5 de novembro, deixando ao menos 17 mortos, não deverá ser reerguida.  

Sabesp (SBSP3, R$ 19,18, -0,62%)
As ações da Sabesp caíram pela 1ª vez em 4 pregões, após a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) autorizar a prorrogação, até 31 de dezembro de 2016 ou até que haja maior previsibilidade quanto à situação hídrica, do programa da companhia de concessão de bônus. A nova regra de aplicação de bônus valerá para as contas com leitura de consumo a partir de 1° de fevereiro do ano que vem. No domingo, o nível de água do Sistema Cantareira registrou elevação de 28% para 28,3%. O reservatório precisa mais 1% da sua capacidade para sair do volume morto e entrar no volume útil.

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Localiza (RENT3, R$ 25,20, -1,95%)
As ações da Localiza chegaram a cair 4,01%, a R$ 24,67, após rumores de que a Enterprise (empresa americana que controla marcas como a Enterprise, Alamo e National) está negociando a compra da fatia da Gávea, Vinci e Kinea na Unidas (21,75% cada). A notícia traz pressão para a Localiza, dado que a entrada de um player forte e com experiência no setor pode acirrar ainda mais a concorrência. A americana Enterprise ainda não atua no Brasil e atualmente é líder nos Estados Unidos. 

O setor passa por um período complicado (aumento da competição por conta da Movida, empresa da JSL, aumento dos juros e queda de demanda), o que fez com que o resultado da Unidas apresentasse forte queda neste ano. Tanto a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, quanto o Valor, comentaram o interesse da Enterprise na Unidas. O Valor apontou que a Localiza se interessou em comprar a fatia na Unidas, mas não achou o preço interessante.

Magazine Luiza e Restoque
Chamaram atenção nesta sessão também as ações “small caps” de duas varejistas: Magazine Luiza (MGLU3, R$ 16,20, +37,29%) e Restoque (LLIS3, R$ 2,20, +21,55%), que dispararam mais de 20% e destoaram do movimento do restante do setor. 
Apesar dos ganhos, as demais varejistas registraram alta bem mais amena nesta sessão. Lojas Americanas (LAME3, R$ 18,90, +5,23%), que apareceu como a terceira maior alta do setor, subiu cerca de 5%.  

Sobre as duas companhias, no entanto, não apareceu nenhuma notícia que justificasse o movimento. Ambas ações registraram um giro financeiro bem superior à média diária das últimas 21 sessões. Magazine Luiza movimentou R$ 14,54 milhões, contra média de R$ 4,19 milhões; enquanto isso, Restoque girou R$ 1,02 milhão, ante R$ 353 mil. Os dois papéis figuravam próximos das mínimas históricas na Bolsa antes dessa arrancada. Segundo analistas de mercado, a falta de liquidez na Bovespa hoje acabou gerando distorções em alguns papéis. 

CSN (CSNA3, R$ 4,27, -1,39%)
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, pediu ao ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, que interceda junto à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para evitar a demissão de 3 mil trabalhadores em Volta Redonda (RJ), programada para o próximo dia 4 de janeiro. Segundo Torres, que se reuniu nesta segunda-feira, 28, com Rossetto ao lado de sindicalistas da região e do senador fluminense Lindbergh Farias (PT), o ministro prometeu buscar o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. 

Eletrobras (ELET3, R$ 5,55, -0,20%; ELET6, R$ 10,07, +0,20%)
As ações da Eletrobras fecharam entre leves ganhos e perdas em dia que acionistas da estatal aprovaram a venda do controle da Celg D. A votação da venda das outras 6 distribuidoras do grupo, porém, foi retirada da pauta a pedido da própria companhia.

Segundo o sumário das decisões da assembleia, a Eletrobras retirou da pauta de hoje a discussão da venda do controle acionário, até o fim de 2016, das distribuidoras Cepisa, Ceal, Eletroacre, Ceron, Boa Vista Energia e Amazonas Distribuidora de Energia. A companhia também decidiu retirar da pauta a prorrogação das concessões dessas seis distribuidoras. Além disso, foi retirada da pauta as discussões para o aumento de capital dessas controladas até o fim de 2016. 

Raia Drogasil (RADL3, R$ 36,70, +1,55%)
Uma das melhores ações de 2015 na Bovespa, com alta acumulada até o momento de 46,6%, a Raia Drogasil foi destaque no “Especial Cenários para 2016” do InfoMoney. Em entrevista publicada nesta segunda-feira, o vice-presidente de Planejamento Corporativo & Relações com Investidores da empresa, Eugênio De Zagottis, fala como a companhia conseguiu driblar o cenário ruim e garantir um bom resultado em ano de recessão. A receita, segundo ele, é baseada em três fatores: balanço forte, mercado super resiliente e fusão da Droga Raia e Drogasil. Nem mesmo as expectativas de mais um ano de retração do PIB em 2016 assusta. A única preocupação vem com a alta da inflação, que beira os 9% e 10%. 

Confira a entrevista completa: “Decidimos não participar da crise”, diz diretor de uma das campeãs da Bolsa em 2015  

Braskem (BRKM5, R$ 29,36, +1,42%)
As ações da Braskem subiram pelo 9° pregão seguido, após companhia fechar acordo de 5 anos para nafta com a Petrobras a 102,1% ARA, segundo comunicado da última quarta-feira. Para analistas do Santander, o anúncio é positivo para a Braskem por remover pendência dessa negociação iniciada há 2 anos e não trazer aumento significativo de custo para a companhia. O banco reiterou “forte convicção na ação”, que não precificou totalmente impacto do start-up de projeto no México. Na mesma linha, o Itaú BBA comentou que o valor ficou abaixo do esperado de 103% do ARA e que o resultado da negociação é positivo para a Braskem, agregando pequeno potencial de valorização à previsão de Ebitda de 2016 e dando fim às incertezas sobre o acordo.