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Temporada de resultados

Duas empresas que já subiram 30% no ano abrem temporada de balanços; confira prévia

O setor de papel e celulose tem sido amplamente beneficiado pela alta do dólar, além dos bons preços dessas commodities em comparação com fortes desvalorizações vistas em outros produtos, como o minério, por exemplo

SÃO PAULO – Mais uma temporada de balanços corporativos se inicia na Bovespa a partir desta quinta-feira (23), com as companhias de capital aberto prestando contas ao mercado em referência aos resultados obtidos no segundo trimestre deste ano. Entre os destaques desse dia de estreia, os agentes econômicos deverão se atentar aos números apresentados por Fibria (FIBR3) e Klabin (KLBN11), que juntas figuram entre os principais destaques de alta dentro do Ibovespa, com respectivos ganhos acumulados de 29,94% e 40,99%, segundo fechamento do pregão desta quarta-feira (22).

O setor de papel e celulose tem sido amplamente beneficiado pela alta do dólar, além dos bons preços dessas commodities em comparação com fortes desvalorizações vistas em outros produtos, como o minério, por exemplo. Para o analista Victor Penna, da BB Investimentos, as expectativas são de resultados sólidos apresentados por Fibria e Klabin. No caso da primeira, as altas na casa dos 4% nos preços da celulose de fibra curta ao longo do segundo trimestre e de 7% da moeda americana ante o real no mesmo período devem dar boa parcela de contribuição. “Esperamos resultado forte, porque os principais drivers do setor são celulose e câmbio”, afirmou.

Parecer semelhante é compartilhado pelos analistas Felipe Reis e Renato Maruichi, do Santander. As apostas da dupla são por um terceiro trimestre seguido de lucros expressivos apresentados pela Fibria. Eles esperam crescimento na casa dos 20% do Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) na comparação trimestral e de 98% na anual. “Não esperamos que a receita robusta seja neutralizada pelo aumento marginal do custo caixa da celulose resultante do incremento na distância média da madeira e pela contribuição inferior da receita de energia”, escreveram em relatório enviado a clientes.

Eles projetam margem Ebitda (Ebitda/receita) em 50,8%, 15,6 pontos acima em comparação ao segundo trimestre do ano passado. Para Reis e Maruichi, este será o melhor resultado dentro do setor no período. Já o lucro líquido deve ficar em R$ 414 milhões, queda de 35% na comparação anual. Essa situação é um clássico exemplo da importância de se atentar a um conjunto de fatores em um balanço corportativo, não exclusivamente o lucro, que pode não ilustrar tão bem se os números foram positivos ou negativos.

A única ressalva apresentada por Penna, da BB Investimentos, é sobre os possíveis efeitos de uma sazonalidade, pela mudança do período de produção. “O que pode prejudicar é a questão das paradas para manutenção, uma vez que o segundo trimestre é um período marcado por transição”, explicou. De qualquer modo, tal fator não tende a estragar a festa da companhia e seus investidores, na avaliação do analista.

Para a Klabin, as expectativas não são tão positivas, mas não chegam perto de ser ruins, quando comparadas com as projeções para outros setores. Para Penna, os números que virão da companhia deverão caminhar mais para uma neutralidade, devido à condição da conjuntura doméstica. “Ela é essencialmente voltada para o mercado interno, e o segmento de papeis está mais correlacionado ao desempenho da economia doméstica [com vendas mais fracas]”, disse o especialista. Além disso, ele alerta para a possibilidade de ser observado um maior nível de alavancagem da Klabin em meio à construção de nova planta no estado do Paraná.

Na avaliação dos analistas do Santander, a resiliência da companhia no mercado doméstico deverá ser testada em seu desempenho entre abril e junho. “Estimamos um volume de papel vendido marginalmente superior na comparação anual e esperamos certa pressão no custo da energia”, escreveram. As estimativas são de que o Ebitda fique em R$ 385 milhões, o que significaria um aumento de 15% em comparação com o segundo trimestre de 2014. Para Reis e Maruichi, a margem Ebitda também deve aumentar, para 30,2% no período – 1,1% a mais no comparativo anual. Já o lucro deve ficar em R$ 136 milhões, queda de 44% na comparação anual.

O otimismo é consenso entre as análises compiladas pelo InfoMoney. Conforme destacou Penna em entrevista, espera-se que Fibria e Klabin abram com chave de ouro a temporada de balanços de um setor com um dos resultados mais atrativos do mercado. A ver se os números corresponderão aos anseios do mercado e provocarão novas ondas de euforia refletidas nos papéis.