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Mario Draghi deu a si mesmo um mês para criar um novo ajuste no Banco Central Europeu para uma inflação angustiante.
Depois que Draghi organizou um novo estímulo monetário para junho, reduzir a taxa de juros de referência da zona do euro a um nível recorde entrou no topo da lista de opções do presidente do BCE. Entre outras potenciais medidas estão cobrar dos bancos por guardarem dinheiro na instituição, emprestar-lhes mais dinheiro barato e dar um novo impulso para reanimar os empréstimos.
A declaração de Draghi, ontem, de que os funcionários estão “confortáveis” a respeito de adotar mais ações se necessário, e sua maior irritação com um euro mais forte sugerem que ele está perdendo a esperança de que uma recuperação econômica possa solucionar para ele a ameaça de deflação estilo Japão. Isso também coloca o banco mais perto de uma política de flexibilização quantitativa que há muito rejeitou, mas que ainda pode ter que empregar se o pior cenário se concretizar.
“O debate parece ser a respeito de quais medidas de política adotar e não mais sobre a possibilidade de adotar alguma”, disse Elga Bartsch, economista-chefe para a Europa do Morgan Stanley em Londres.
A exasperação de Draghi com a baixa inflação levou economistas do Morgan Stanley ao ABN Amro Bank NV a preverem que os estrategistas reduzirão sua taxa básica de 0,25 por cento para 0,10 por cento quando se reunirem, em 5 de junho, e tiverem acesso às previsões da nova equipe econômica.
Das palavras à ação
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Os investidores em bônus, que já estão colocando dinheiro nos mercados de dívidas da região neste ano, responderam à perspectiva de mais estímulos empurrando para baixo os rendimentos dos bônus de 10 anos espanhóis, italianos e alemães. O rendimento do bônus da Espanha tocou a maior baixa da história, de 2,875 por cento, e o da Itália caiu até 2,912 por cento, o nível mais baixo desde que a Bloomberg começou a monitorar os títulos, em 1993.
O BCE “finalmente irá das palavras à ação”, disse Nick Kounis, chefe de pesquisa macro do ABN Amro Bank NV em Amsterdã. “Os gatilhos para o BCE parecem ser uma combinação da força persistente do euro e uma inflação mais baixa do que o esperado”.
A inflação está em menos da metade da meta do BCE, de pouco menos que 2 por cento. Os preços ao consumidor subiram 0,7 por cento em abril em relação a um ano antes.
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Exacerbando a preocupação de que a zona do euro corre o risco de deflação, a moeda subiu 8,4 por cento desde julho na comparação com o dólar, espremendo os exportadores e restringindo os preços das importações. Em seu discurso mais duro, Draghi, ontem, considerou o aumento do euro um “sério problema”, um alerta que empurrou a taxa de câmbio para baixo em relação ao nível de US$ 1,40, que quase atingiu ontem de manhã.
Tom mais duro
O tom mais duro do presidente do BCE vem na sequência do aumento da pressão internacional para atacar o que o Fundo Monetário Internacional chama de “lowflation”, um período prolongado de aumentos lentos de preços. Nesta semana, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico fez eco ao FMI ao defender uma redução da taxa de juros na zona do euro.
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Além de reduzir sua taxa principal, o BCE pode colocar sua chamada taxa de depósito em território negativo, disse Marco Valli, economista-chefe para a zona do euro da UniCredit Global Research em Milão. Isso deixaria os bancos pagando para deixar dinheiro nos cofres do BCE no chamado overnight, dando a eles um motivo para emprestar dinheiro para empresas e consumidores, em vez disso.
No Citigroup Inc., o economista Guillaume Menuet disse que uma redução da taxa em junho marcaria apenas o começo de uma série de ações, caso a inflação siga decepcionando. A medida provavelmente será seguida também de uma parada na drenagem da liquidez adicionada pelas aquisições de bônus da era de crise, à introdução de empréstimos de longo prazo para bancos atados a pequenas e médias empresas e, em última instância, à flexibilização quantitativa nas últimas semanas do ano.
“Eu não acho que exista alguma chance de que a inflação se aproxime da meta tão cedo”, disse ele. “A flexibilização quantitativa virá na sequência, quando tudo mais tiver sido tentado sem sucesso”.