Dow Jones supera 2007 e atinge máxima histórica: o que mudou nos EUA?

Apesar de atingir mesmo patamar de antes da crise de 2008, muita coisa aconteceu; economia norte-americana enfrenta um maior déficit e um maior contigente de desempregados

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SÃO PAULO – Em uma trajetória bastante positiva no ano, os principais índices norte-americanos vêm registrando um rali de alta, atingindo níveis observados de antes da crise de 2008, a despeito das questões fiscais enfrentadas pelos EUA nos últimos meses. O Dow Jones evidencia este cenário, encerrando a última terça-feira (5) na máxima histórica, ao superar os patamares de outubro de 2007, quando encerrou a 14.198 pontos.

Na sessão desta quarta-feira (6), o Dow Jones continua em alta, com os dados de emprego de janeiro sendo revisados para cima e com os bons números referentes a fevereiro. Com isso, o índice registra ganhos, às 12h30 (horário de Brasília), de 0,30%, a 14.294 pontos.

Contudo, vale ressaltar que, mesmo com o índice atingindo patamares superiores aos de 2007, muita coisa mudou nos últimos cinco anos e meio, principalmente nos aspectos macroeconômicos, revelando que os EUA enfrentam atualmente uma situação bem mais complicada. 

O país já não tem o mesmo crescimento vigoroso apresentado na época e o déficit mais do que dobrou como porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto), sendo multiplicado por dez em base nominal. Os dados de desemprego também preocupam, já que, mesmo apresentando recuperação, há atualmente R$ 13,2 milhões de desempregados, contra R$ 6,7 milhões em 2007.

Deste modo, hoje há R$ 47,69 milhões de pessoas no programa de auxílio para baixa renda Food Stamp, ante 26,9 milhões há 5 anos e meio. Além disso, o balanço do Federal Reserve aumentou consideravelmente, em meio às diversas políticas de estímulos adotadas pela autoridade monetária para promover o desenvolvimento econômico do país.

Desde esse período, a confiança do consumidor caiu, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s tirou o triplo A do país e o volume negociado na Nyse (New York Stock Exchange) foi reduzido em mais de duas vezes, assim como o rendimento dos títulos do Tesouro do país. Por outro lado, a moeda norte-americana se valorizou frente ao euro, enquanto os preços do ouro dispararam. Veja as diferenças entre os dois períodos:

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Diferença entre os EUA de 2007 e 2013
Indicador 2007 2013
Fonte: artigo no Zero Hedge
Crescimento do PIB +2,5% +1,6%
Preço do gás US$ 2,75 4.506
Número de Desempregados 6,7 milhões 13,2 milhões
Tamanho do Fed no balanço  US$ 890 bilhões US$ 3,01 trilhões
Relação Dívida/PIB 38% 74,2%
 Déficit total dos EUA US$ 97 bilhões US$ 975,6 bilhões
Déficit pendente total  US$ 9,008 trilhões US$ 16,43 trilhões
 Endividamento das famílias  US$ 13,5 trilhões  US$ 12,87 trilhões
Participação da força de trabalho 65,8% 63,6%
Confiança do consumidor 99,5 pontos 69,6 pontos
 Rating dos EUA pela S&P  AAA  AA+
Rendimento dos títulos públicos (10 anos) 4,64% 1,89%
Preço do ouro a onça  US$ 748,00 US$ 1.583,00
Volume médio negociado na Nyse LTM US$ 1,3 bilhão  US$ 545 milhões
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Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.