Dólar volta a fechar em alta, cotado a R$ 3,56

O dia foi de poucas notícias; no mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou esta sexta-feira em forte alta de 1,61%, cotada a R$ 3,60

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SÃO PAULO – O dólar teve nesta sexta-feira mais um dia de valorização, em um pregão de poucas notícias relevantes, marcado pelo movimento de realização de lucros dos investidores, principalmente com o mercado acionário e com os títulos de dívida externa, que sofreu fortes valorizações nos últimos dias.

Nem mesmo a notícia de que a missão do FMI vai recomendar à diretoria da instituição que aprove a avaliação feita durante os dez dias em que os técnicos do Fundo estiveram no Brasil, liberando mais US$ 3 bilhões, o que foi motivo de otimismo para o mercado, a moeda norte-americana conseguiu reverter sua tendência de alta.

Inflação preocupa

O maior motivo por trás da valorização da moeda norte-americana seria a forte alta da inflação, apontada pelo IGP-M na quinta-feira. O mercado teme que o Copom promova um choque de juros para que a meta imposta pelo FMI não seja alcançada em 2003, uma vez que as expectativas do mercado já apontam inflação de dois dígitos para o próximo ano, e a meta está em 6,5%. O possível choque, além de prejudicar o andamento da economia, elevaria fortemente os encargos com a dívida pública denominada em títulos pós-fixados.

Além disto, o mercado já está atento para o vencimento superior à US$ 2 bilhões da dívida pública atrelada ao câmbio no dia 2 de dezembro. Espera-se que na próxima semana o Banco Central começará a rolar da dívida, o que gera uma certa tensão no mercado, que teme novas pressões no cambio, o que pode impulsionar ainda mais a inflação e abrir espaço para um choque no juro.

Expectativas são favoráveis

Porém, as perspectivas do mercado quanto ao futuro da cotação da moeda norte-americana são positivas, como já pode ser observado nesta semana, quando o Banco Central conseguiu renovar 83,8% de uma dívida de US$ 2,5 bilhões.

Os investidores estão mais otimistas com a política econômica a ser adotada pelo governo de Lula, como ilustra a declaração do subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, Kenneth Dam, nesta sexta-feira de que está satisfeito com as declarações do futuro governo Lula.

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As expectativas do mercado giram também em torno de quem serão os membros do governo de Lula, principalmente de quem ocupara a presidência do Banco Central e o Ministério da Fazenda. Porém, espera-se que tais nomes serão divulgados apenas em dezembro.

Dólar sobe 1,11% e fecha cotado a R$ 3,56

O dólar comercial fechou cotado a R$ 3,5550 na compra e R$ 3,5600 na venda, forte alta de 1,11% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 3,6000, representando um ágio de 1,27% em relação ao dólar comercial.
Apesar desta alta, o dólar acumula desvalorização de 1,93% em novembro, frente a baixa de 3,43% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 53,78%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em dezembro encerrou o dia cotado a R$ 3.551, forte alta de 0,79% em relação ao fechamento de R$ 3.523 da última quinta-feira. O contrato com vencimento em janeiro, por sua vez, fechou em forte alta de 1,00%, atingindo R$ 3.535 frente a R$ 3.500 do fechamento de ontem.