Dólar volta a avançar e fecha em R$ 1,7765, sua máxima desde julho de 2010

Moeda subiu 2,57% nesta segunda-feira, sua maior alta diária desde 6 de maio de 2010; BaCen segue sem comprar dólares

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SÃO PAULO – O dólar fechou em forte alta de 2,57% nessa segunda-feira (19), sua maior valorização diária desde 6 maio de 2010, quando subiu 2,95%. Dessa forma, a moeda norte-americana terminou cotada a R$ 1,7765 na venda, maior valor desde 21 de julho do ano passado, quando fechou a R$ 1,784. O mercado cambial reflete o aumento do sentimento de aversão ao risco, que fortalece os investimentos tidos como seguros, como o dólar, ante os mais arriscados, como o mercado acionário.

As referências internacionais foram chave para esse cenário, o mercado esteve pressionado tanto por conta da reunião entre as autoridades gregas e à Troika (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional). O anúncio de que as partes da reunião estariam próximos de um acordo fez diminuir o ímpeto de alta do dólar, que chegou a operar acima da casa dos R$ 1,80.

Por aqui, o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central apontou elevação em quase todas as projeções de inflação, mas seguiu reduzindo a expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto) para 2011 e 2012. Ainda por aqui, os investidores acompanharam os dados da balança comercial da última semana, que registrou superávit de US$ 2,532 bilhões.

Vale mencionar que o Banco Central brasileiro segue aproveitando o recente rali do dólar nas últimas semanas para deixar de realizar leilões de compra da moeda no mercado cambial à vista, prática que tem se repetido diariamente nos últimos anos.

Referências internacionais
A Grécia continuou a ser uma das principais referências aos investidores. A reunião nessa segunda-feira entre as autoridades do país e a Troika para debater as medidas de austeridade fiscal tomadas pelo governo de modo a atender as exigências internacionais pressionou os mercados. 

Parte das preocupações se dissiparam após o anúncio de que o país estava próximo de um novo acordo. “Há trabalho a ser feito, mas a expectativa é de um acordo. Algumas medidas para 2011 e 2012 ainda precisam ser quantificadas”, afirmou um oficial do país. Com isso permaneceu a expectativa de que o país continue a receber o seu resgate, em troca de maior disciplina fiscal e corte de gastos governamentais. 

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Os Estados Unidos também não ficaram para trás nesta segunda, com o presidente Barack Obama anunciando novas medidas para reduzir o déficit do país em US$ 3,6 trilhões ao longo de 10 anos, através de reformas sociais, reduzindo gastos com os mesmos, enquanto aumenta impostos para mais ricos habitantes do país. Vale lembrar que ainda nesta semana teremos a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee), existindo a expectativa para o anúncio de um novo programa de estímulo à economia norte-americana.

Dólar comercial, Ptax e futuro
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7750 na compra e R$ 1,7765 na venda, forte alta de 2,57% em relação ao fechamento anterior.  Com esta alta, o dólar acumula valorização de 11,52% em setembro, frente à alta de 2,64% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 6,62%.

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em outubro  segue o dia cotado a R$ 1,791, forte alta de 2,78% em relação ao fechamento de R$ 1,742 da última sexta-feira. O contrato com vencimento em novembro, por sua vez, opera em forte alta de 2,42%, atingindo R$ 1,797 frente à R$ 1,754 do fechamento de sexta-feira.  

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Já o dólar Ptax, que referencia os contratos futuros na BM&F Bovespa, fechou cotado a R$ 1,7763 na venda, alta de 3,74%.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,7840000.

FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 2,54 para novembro de 2011, 0,34 ponto percentual abaixo em relação ao que foi registrado na sessão anterior.