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SÃO PAULO – Depois de disparar em março e afundar em abril, o dólar comercial, pelo menos por enquanto, segue em um ritmo mais “tranquilo” em maio, oscilando entre os patamares de R$ 3,02 e 3,09. Mesmo assim, este não é o nível que especialistas têm apontado como o justo para a moeda e um dos fatores que pode definir se a divisa voltará a disparar ou cairá para menos de R$ 3,00 ocorre nesta sexta-feira nos EUA.
Após os dados de criação de vagas ontem, amanhã será a vez do relatório de emprego, que contém, entre outros documentos, os dados do desemprego no país. Apesar de nas últimas reuniões esse indicador ter sido menos comentado, o Federal Reserve sempre destacou que sua meta para o desemprego seria um dos catalisadores para decidir quando os juros devem começar a subir nos EUA.
“Amanhã será dia muito importante para determinar o próximo passo da moeda americana”, afirma o diretor técnico da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Segundo ele, a combinação entre as “vitórias” de Joaquim Levy no Congresso e o relatório de emprego nos EUA ajudarão a definir o futuro do dólar. Apesar disso, ele alerta: “tendência de alta do dólar segue intacta no longo prazo. No médio prazo, a tendência é de baixa, porém ainda jovem e gatilho de reversão acima de R$ 3,12 […] Do ponto de vista de curto prazo, abaixo de R$ 3,045 abre espaço para cair em direção a R$ 3,02″.
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Nesta quinta-feira, após operar instável durante boa parte do dia, o dólar comercial fechou com forte queda de 0,63%, cotado a R$ 3,0245 na compra e R$ 3,0275 na venda.
Segundo Júnior, caso Levy consiga menos vitórias no Congresso e o Payroll venha forte amanhã, a tendência é que o dólar suba, enquanto a combinação de mais vitórias do ministro da Fazenda e um relatório de emprego fraco fará o sentido oposto, com possível queda da moeda. Nas outras situações, a divisa deve permanecer mais próxima da estabilidade.
Em relação à política nacional, o diretor da Wagner destaca que o “indexador das dívidas de estados e municípios retroativo para este ano, liberação de depósitos judiciais para estados e a negativa do PMDB em votar aumento da contribuição das empresas para o INSS, são sinais que Levy perdeu mais do que ganhou”.
Agora é esperar os números de amanhã nos EUA. Ontem o país divulgou o indicador de criação de vagas, com 169 mil empregos no mês passado, o menor número desde janeiro de 2014 e muito abaixo das expectativas de analistas, segundo relatório da processadora de folhas de pagamento ADP. Para a equipe da Coinvalores, estes dados de emprego “serão importantes para determinar o timing do aumento da taxa de juros. Acreditamos que isso deve ocorrer somente em setembro, especialmente após o resultado do PIB do 1° trimestre, favorecendo o fluxo de investimentos para o Brasil”.