Dólar tem menor valor em mais de 2 meses e cai a R$ 3,72 com Fed e alívio político

Moeda tem segundo dia de forte queda e se aproxima de perdas de 2% com vitórias do governo e "calmaria" com comunicado do Federal Reserve sobre a alta de juros

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SÃO PAULO – O dólar afunda no último pregão desta semana mais curta por conta do feriado amanhã, que deixará o mercado brasileiro fechado. A moeda norte-americana, que já havia recuado forte na véspera, cai quase 2% e atinge seu menor valor desde o dia 1º de setembro – quando fechou a R$ 3,6875 -, favorecida pela ata do Fomc divulgada no fim da tarde de ontem, e também pelo cenário de alívio na política doméstica.

Às 13h57 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 1,73%, cotado a R$ 3,7228 na compra e R$ 3,7243 na venda. Assim como os mercados globais, há uma reação “atrasada” ao comunicado do Federal Reserve, que apesar de reforçar a ideia de uma alta de juros em dezembro, mostrou que as elevações serão bastante graduais.

No ambiente doméstico, afeta o câmbio o alívio no cenário político, principalmente após o governo ter conseguido uma série de vitórias no Congresso Nacional que permitiram o esvaziamento da chamada “pauta-bomba” – conjunto de medidas que poderia ter grande impacto fiscal nos próximos anos.

Ontem, o governo enviou à CMO (Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização) um texto alterando a receita da proposta orçamentária de 2016 para incluir a arrecadação com a CPMF. De acordo com o texto encaminhado, a previsão de arrecadação é de R$ 32,2 bilhões se a cobrança começar em abril. Os esforços agora parecem se concentrar na aprovação da CPMF. Ontem, o mercado voltou a considerar a aprovação do imposto após notícias de que o vice-presidente da República, Michel Temer, estaria se mostrando mais favorável à volta do imposto.

Entre os indicadores, o IPCA-15 de novembro subiu 0,85%, em linha com o esperado, enquanto a taxa de desemprego avançou para 7,9% em outubro, ante 7,6% em setembro. No mercado de juros, o DI janeiro de 2017 recuava a 15,360% ao ano, ante 15,450% no último ajuste. O DI janeiro de 2018 cedia a 15,600%, frente a 15,670% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2021 marcava 15,430%, contra 15,510% no ajuste da véspera.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.