Dólar sobe pelo terceiro dia seguido e tem sua melhor semana desde maio

Inflação chinesa, G-20 sem novidades e atuação do BC foram os destaques; moeda termina semana com ganhos de 2,7%

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SÃO PAULO – Depois de iniciar o dia no campo positivo e passar para o negativo durante a tarde, o dólar comercial recuperou o ritmo de valorização no final desta sexta-feira (12), fechando em alta pelo terceiro dia consecutivo, sendo cotado na venda a R$ 1,724 – apreciação de 0,29%. Com isso, a moeda termina a semana com ganhos de 2,74%, seu melhor desempenho desde a semana encerrada em 21 de maio, quando subiu 3,16%.

Temores acerca de um possível aperto monetário na China para conter a inflação local mantiveram os investidores avessos ao risco durante a última sessão desta semana, que também foi marcada pelo término do encontro dos países do G-20, realizado em Seul, na Coreia do Sul.

No front doméstico, o Banco Central repetiu o movimento realizado na véspera e atuou apenas uma vez na compra de dólares no mercado cambial à vista. A operação ocorreu entre 15h49 e 15h54 (horário de Brasília) e contou com uma taxa de corte aceita em R$ 1,7231.

Novo aperto na China?
Por conta da forte aceleração do ritmo da inflação chinesa, que atingiu 4,4% em outubro, a apreensão dos mercados refere-se à possibilidade de um novo possível aumento no juro básico chinês, com o intuito de frear a alta nos preços. Em resposta, o índice de ações Shangai Composite desabou 5,2%, ao passo que os preços de algumas commodities, especialmente as metálicas, se desvalorizaram nesta sexta-feira, devido à forte exposição dessas empresas à demanda chinesa.

Ainda sobre esse tema, os analistas da Prosper Corretora avaliam que o “ritmo de crescimento da produção industrial e de vendas varejistas continuam elevados, com taxas de dois dígitos, e presumem mais medidas de controle na China e/ou ajustes monetários adicionais”.

G-20: saldo positivo, porém sem novidades
Confirmando as expectativas, a reunião do G-20 não conseguiu obter resultados concretos no sentido de resolver o problema no âmbito cambial. Ademais, de forma geral, o comunicado final do encontro apontou para o combate às desvalorizações competitivas, com um sistema cambial mais determinado pelo mercado.

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Apesar disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um balanço positivo do encontro com as principais economias emergentes do mundo. “Há um esforço em buscar o desenvolvimento mundial. A cúpula coloca recomendações para que caminhemos nessa direção, principalmente na questão do desequilíbrio de moedas e câmbio”, disse o ministro. Sobre a “guerra cambial”, Mantega disse que ela não terminou, mas que os mecanismos definidos na reunião da cúpula devem ajudar a esfriar os ânimos das discussões sobre o tema.

Dólar a R$ 1,724
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7220 na compra e R$ 1,7240 na venda, alta de 0,29% em relação ao fechamento anterior. Com esta alta, o dólar acumula valorização de 1,23% em novembro, frente à alta de 0,65% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 0,99%.

Dólar futuro e dólar pronto
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em dezembro segue o dia cotado a R$ 1.729, alta de 0,38% em relação ao fechamento de R$ 1.723 da última quinta-feira. O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,7230000.

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FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 2,33 para janeiro de 2011, 0,03 ponto percentual abaixo do que foi registrado na sessão anterior.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers