Dólar sobe mais de 2% e encosta em R$ 2,84, maior patamar desde 2004

As preocupações com os fundamentos da economia doméstica, alta do rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA e tensões na Grécia contribuem para o ambiente de redução do apetite pelo risco

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SÃO PAULO – O dólar renovou novamente a máxima em mais de dez anos nesta terça-feira (10), fechando acima de R$ 2,83. As preocupações com os fundamentos da economia doméstica, alta do rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e tensões na Grécia contribuem para o ambiente de redução do apetite pelo risco, levando os investidores para a moeda norte-americana.

O dólar comercial encerrou a sessão com forte alta de 2,12%, a R$ 2,8349 na compra e R$ 2,8364 na venda, no maior patamar desde novembro de 2004. Essa é a terceira sessão de ganhos nas últimas cinco. 

Enquanto Dilma Rousseff se mobiliza para reverter a queda de aprovação (que ficou evidente na última pesquisa Datafolha), parlamentares dos partidos que apoiam o governo no Congresso devem tentar barrar ou atenuar impacto das propostas de ajuste fiscal propostas pela equipe econômica. “A luz ficou amarela para os ajustes fiscais. O noticiário não contribui para reverter a tendência de alta do dólar e juros futuros”, diz a Guide Investimentos.

No quadro internacional, aumentam as apostas de alta de juros nos Estados Unidos. O “yield” do Treasury de dez anos superou hoje a marca de 2% pela primeira vez desde 9 de janeiro, tornando as aplicações em dólar mais atrativas, o que tende a pressionar os papéis dos mercados emergentes. Além disso, as tensões envolvendo a Grécia não devem dar trégua. O maior risco é a Grécia sair da zona do euro. Ontem, o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan disse que a saída do país é questão de tempo e que seria bom tanto para a Grécia como para a União Europeia. “Recomendação é vender mais euro e comprar mais dólar”, disse o analista Flávio Conde. 

De maneira geral, há uma forte preocupação com a economia brasileira. O dolar é um ativo para diversificar e quando você tem um receio maior em outros ativos, a tendência é voltar-se ainda mais para o dólar. Ele pode até ceder um pouco no curto prazo, mas a tendência é de permanecer mais alto do que o normal. “Voltar para os R$ 2,60 acho bem difícil”, comentou Nuno Fouto, professor do Provar (Programa de Administração de Varejo) da FIA.