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SÃO PAULO – A tendência de queda do dólar e dos juros registrada nos primeiro pregões de 2002 foi revertida nesta sexta-feira, com o aumento dos juros e com o dólar comercial fechando na cotação máxima do dia. As incertezas pelas quais a Argentina deve passar no processo de transição de políticas monetárias são apontadas como principais focos para a reversão da tendência do mercado brasileiro. Ainda que a economia nacional apresente fundamentos econômicos mais sólidos que os da economia argentina, o contágio da crise deve ser visível no curto prazo, ainda que de forma pontual, como aposta a maior parte do mercado.
Com da desvalorização cambial dada como certa no país vizinho, os riscos de inflação na Argentina aumentam e as expectativas de reativação da atividade econômica no país passam a se postergar. O comércio argentina já remarca preços e estoca mercadorias, gerando a falta de alguns produtos nas prateleiras. O governo prepara um pacote econômico que está sendo aprovado pelas duas casas que compõem o Congresso argentino, antes de ser anunciado oficialmente. Entre outros pontos básicos, o governo deverá proteger as dívidas da população convertendo-as em pesos antes da desvalorização.
Os investidores operaram hoje em movimento de realização de lucros para os contratos futuros de juros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros. A retomada na próxima semana de leilões de papéis pré-fixados federais também contribuiu para a alta das taxas de juros. Mesmo assim, o mercado ainda acredita que haverá corte na taxa Selic, com espaço que se iniciar ainda no primeiro bimestre ou já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para 22 e 23 de janeiro.
Dólar fecha em forte alta
O dólar comercial fechou as negociações de hoje na máxima do dia, registrando alta de 1,57% em relação ao fechamento anterior, sendo cotado a R$ 2,30 para compra e a R$ 2,33 para venda. No mercado paralelo, a moeda norte-americana foi negociada a R$ 2,533, representando um ágio de 8,71% em relação ao dólar comercial. Em um movimento de alta, o contrato futuro de US$ 1.000,00 com resgate no mês de fevereiro de 2002 fechou cotado a R$ 2.366,00, contra R$ 2.327,90 registrados no fechamento do último pregão.
Juros retomam tendência de alta
O contrato futuro de DI, com resgate em abril de 2002, fechou o pregão com taxa de 18,87% ao ano, representando uma alta de 0,11 ponto percentual em relação ao último fechamento, quando atingiu 18,76% ao ano. No mesmo sentido, a taxa do contrato futuro para fevereiro de 2002 atingiu 18,97% ao ano, com elevação de 0,03 ponto percentual. Ainda em sentido de alta, a taxa do contrato para julho de 2002 fechou as negociações em alta de 0,26 ponto percentual frente ao fechamento anterior, passando de 18,84% ao ano para 19,10% ao ano.
Ibovespa reverte e passa a opera em alta
O índice futuro para fevereiro do próximo ano era negociado a 14.430 pontos na BM&F, registrando um modesto recuo de 0,13%, ou 19 pontos, em relação ao fechamento anterior, quando o índice futuro ficou em 14.449 pontos. No mercado à vista, o Ibovespa reverteu a queda e operava em alta de 0,18%, sendo cotado a 14.290 pontos. O volume financeiro registrado era de R$ 444 milhões.
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Ouro segue dólar e fecha em alta
O ouro acompanha a valorização do dólar, já que fechou as negociações registrando alta de 1,64% na BM&F em relação ao fechamento anterior, cotado a R$ 21,75 o grama. No mercado internacional, o ouro subiu e estava cotado a US$ 279,20 a onça troy, o que representa uma cotação de R$ 22,80 por grama da commodity.