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SÃO PAULO – O dólar comercial chega a sua sexta alta consecutiva, disparando 2,40%, a R$ 3,1285 na compra e R$ 3,1297 na venda na sessão desta segunda-feira (9), seu maior valor desde junho de 2004. A moeda já iniciou o dia com ganhos de quase 1%, acima de R$ 3,10, ameaçando perder esse patamar durante a tarde. Porém, após a divulgação de um relatório da agência de classificação de risco Moody’s, a divisa disparou, superando os 2% de ganhos.
A Moody’s avaliou que as investigações de corrupção na Petrobras podem afetar negativamente vários setores, como a cadeia de produção de petróleo e gás nacional, os setores de construção e infraestrutura. No caso dos bancos a investigação poderia resultar em lucros mais baixos, especialmente se as instituições públicas tiverem de dar suporte à Petrobras para evitar consequências econômicas mais amplas.
A agência avalia que, diante dos desdobramentos negativos das investigações na Petrobras sobre a economia, o governo federal estaria inclinado a dar suporte financeiro, embora não esteja claro se seria capaz de reunir o grande montante que possa vir a ser exigido no curto período para evitar default.
“A Petrobras desempenha um papel central nos projetos de investimento de longo prazo no Brasil. Uma deterioração significativa na sua qualidade de crédito colocaria o setor bancário brasileiro, mercados domésticos de capitais e a economia como um todo em risco”, diz a autora do relatório, Marianna Waltz. As implicações imediatas para o perfil de crédito soberano são limitadas, segundo o relatório. “A Moody’s não espera que o suporte do governo para a Petrobras poderia levar a dívida soberana a ultrapassar 70% do PIB, sob qualquer cenário”, afirma.
O comentário da Moody’s chega em um momento de grande tensão política, que ganhou força na última semana após o presidente do Senado, Renan Calheiros, devolver a Medida Provisória que tratava da desoneração da folha de pagamento. Diante disso, aumenta o medo sobre a efetividade dos ajustes fiscais que o governo está tentando implantar.
Além disso, a lista com os nomes dos políticos envolvidos com a corrupção na Petrobras e que serão investigados foi divulgada na última sexta-feira, mais uma vez trazendo tensão sobre seus impactos políticos e econômicos. Para piorar, na noite de ontem, um panelaço feito em várias cidades do Brasil durante o pronunciamento de Dilma aumentou a tensão dentro do governo sobre as manifestações marcada para o próximo domingo (15) – que pedem o impeachment da presidente.
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Em um ambiente obscuro na economia, onde os fundamentos se deterioram cada vez mais, junto com a recuperação acelerada dos EUA – que deve adiantar a alta dos juros por lá -, não há, no momento, alguma previsão do alívio do dólar, que no fim de fevereiro (ou seja, há seis pregões) era cotado a R$ 2,8560, uma alta de 9,5% no período.