Dólar sobe 2,3%, mas analista vê espaço para quedas e nova oportunidade de compra

Apesar da alta, movimento de hoje não alterou a tendência de curto e médio prazo do dólar, que segue de queda, e a oportunidade de compra ainda segue

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SÃO PAULO – Na semana passada o dólar voltou a ficar abaixo de R$ 3,00 e analistas apontaram para uma nova oportunidade de compra da moeda. Para quem aguardou essa chance, esta segunda-feira (11) não deve ter sido um bom dia, com a divisa disparando 2,31%, para R$ 3,0520 na compra e R$ 3,0525 na venda. Porém, não é hora de desanimar, o movimento de hoje não alterou a tendência de curto e médio prazo do dólar, que segue de queda, e a oportunidade de compra ainda segue.

O movimento desta sessão foi uma combinação de exportadores aproveitando o baixo preço da moeda para comprar, o que ajudou na disparada mais forte, enquanto as falas do doleiro Alberto Yousseff na CPI da Petrobras sobre o presidente Lula saber das propinas trouxeram novamente um pessimismo para os investidores. Com isso, aumentaram as dúvidas sobre a capacidade do governo em aprovar as medidas fiscais necessárias para o ajuste.

Segundo o diretor técnico da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o intervalo mais provável para o dólar neste momento está entre R$ 2,95 e R$ 3,05, sendo que a tendência de queda no médio prazo deve ser limitada porque a tendência de alta no longo prazo continua. “Segundo os analistas internacionais que acompanhamos, o dólar deverá seguir em movimento de consolidação ou queda da cotação”, afirma.

“A força do dólar tem contribuído para a piora do balanço internacional e perda de ritmo da economia dos EUA. Esta piora do balanço internacional pode ser observada no aumento do déficit comercial dos EUA e do superávit comercial recorde da China”, explica Júnior. “Caso este cenário internacional de consolidação/queda do dólar ocorra, é provável que o dólar permaneça mais tempo na tendência de baixa de médio prazo, abrindo oportunidades para a compra de dólar (hedge) em patamares mais razoáveis (perto de 2,90)”, completa.

Vale lembrar que está marcada para amanhã a votação na Câmara da Medida Provisória 664, que altera as regras para concessão de pensão por morte e auxílio doença e faz parte do pacote de medidas de ajuste fiscal. Com isso, aumenta também a tensão do mercado, que tenta se proteger e antecipar qualquer novidade sobre o que pode ocorrer na sessão.

No cenário internacional, os investidores seguem atentos à economia da China, que no final de semana voltou a cortar juros, e também com a Grécia, que continua trazendo tensão aos mercados mundiais com as discussões sobre os planos de ajuda ao país. Vale ficar atento aos desdobramentos, que podem ter impacto no dólar e acabar mudando o cenário.

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.