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SÃO PAULO – O dólar fechou em alta de 1% ante o real nesta terça-feira, voltando ao patamar de R$ 2,31, após dados positivos nos Estados Unidos renovarem preocupações com a provável redução do estímulo monetário no país e a consequente redução na liquidez global.
Apesar do salto, o Banco Central não atuou o dia todo, o que deixou os investidores ainda mais atentos a possíveis intervenções no mercado de câmbio à frente, a fim de evitar mais pressões inflacionárias.
A moeda norte-americana avançou 1,08%, para R$ 2,3107 na venda, maior alta percentual desde 24 de julho passado, quando a divisa ganhou 1,27%, cotada a R$ 2,2505. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,4 bilhão.
“Há uma grande pressão de alta, vinda de fora, sobre a moeda”, afirmou o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.
O bom resultado das vendas no varejo dos EUA reforçou temores de que o Federal Reserve, banco central do país, diminua o ritmo de seu programa de aquisição de ativos, reduzindo a oferta de dólares em todo o mundo e puxando para cima as cotações da divisa.
As vendas no varejo nos EUA excluindo carros, gasolina e materiais de construção –importante componente da medida sobre gastos do consumidor– subiram 0,5% no mês passado, mais do que o esperado.
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O Fed compra mensalmente US$ 85 bilhões em títulos hipotecários e do Tesouro norte-americano e tem dito que pode reduzir esse ritmo quando a recuperação da maior economia do mundo estiver sólida.
A tendência de valorização do dólar era generalizada. Contra uma cesta de divisas, a moeda norte-americana ganhava 0,50% no final desta tarde, enquanto o euro perdia 0,25% em relação à divisa dos EUA.
Na máxima do dia, a moeda chegou a R$ 2,3135, intensificando especulações de que o BC pode voltar a atuar nos mercados para derrubar a divisa, uma vez que a valorização do dólar tende a dar força à inflação.
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“As duas últimas intervenções do BC ocorreram quando o dólar estava mais baixo do que está hoje”, lembrou um operador de banco estrangeiro.
Na quinta-feira a autoridade monetária pegou o mercado de surpresa ao anunciar um leilão de swap cambial tradicional –equivalente a venda de dólares no mercado futuro– quando a divisa norte-americana já caía 1% ante o real. E, após o fechamento daquele pregão, fez pesquisa de demanda para novo leilão, que acabou sendo realizado na manhã de sexta-feira.
Para parte dos especialistas, a ação do BC mostrou que a autoridade monetária não quer o dólar na casa de R$ 2,30 justamente para não pressionar ainda mais a inflação.
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Na segunda-feira, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, reconheceu haver repasse cambial para os preços e reforçou que a “condução adequada da política monetária” ajuda a mitigar esse movimento. De maio para cá, o dólar acumula valorização de pouco mais de 15% ante o real.
Hamilton negou, no entanto, que a autoridade monetária tenha mudado sua atuação no mercado cambial e acrescentou que a ação do BC continua “a mesma desde sempre”, reforçando que não há compromisso com taxas de câmbio. “O BC se reserva o direito de intervir quando julga que as condições de mercado assim o permitam. O BC opera como sempre operou”, disse Hamilton.
Para Nehme, da NGO, o BC deve voltar a atuar nos mercados já nas próximas sessões, mas pode intervir de forma mais vigorosa, uma vez que os swaps cambiais que a autoridade monetária tem utilizado atendem apenas à demanda no mercado futuro.