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SÃO PAULO – O dólar fechou em alta ante o real nesta sexta-feira devido à decepção com a performance fiscal do Brasil em janeiro, mas ainda abaixo do patamar de 2,35 reais e cravando a primeira queda mensal desde setembro do ano passado.
Mesmo assim, segundo especialistas, ainda é cedo para dizer que o cenário de menos pessimismo sobre as perspectivas domésticas está perdendo força. Mas já há avaliações de que a recente depreciação do dólar pode ter sido exagerada, mesmo num momento de cenário externo benéfico, o que poderia levar a movimentos de alta no curto prazo.
A moeda norte-americana avançou 0,88 por cento no dia, a 2,3450 reais na venda nesta sessão, acumulando queda de 2,79 por cento em fevereiro. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares.
“Os dados fiscais tiraram um pouco do otimismo e mostraram que houve exagero na queda (do dólar)”, afirmou o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos. Ele ponderou, contudo, que o governo ainda tem tempo de cumprir a meta fiscal para o ano.
“Não dá para descumprir em janeiro algo que foi anunciado em fevereiro”, disse, referindo-se ao compromisso firmado pelo governo de entregar superávit primário de 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, considerado mais crível e que gerou alívio nos mercados financeiros brasileiros.
Nesta sexta-feira, o governo central (governo federal, Banco Central e Previdência) divulgou superávit primário de 12,954 bilhões de reais em janeiro, metade do valor registrado no mesmo mês do ano anterior.
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Apesar disso, o superávit primário do setor público consolidado –que além do governo central também inclui Estados, municípios e estatais– ficou apenas levemente abaixo das expectativas dos analistas, beneficiado pelo saldo positivo recorde dos governos regionais diante da forte transferência de recursos do governo federal.
Por isso, o número não chegou a gerar alívio duradouro no câmbio, já que especialistas avaliam que os repasses são atípicos e esses fundos devem ser gastos ao longo do ano.
“A pressão nos mercados tinha dado uma boa aliviada desde a história do fiscal, mas o número de hoje lança dúvidas sobre esse compromisso”, disse o economista-chefe da INVX Global, Eduardo Velho
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Na primeira parte da sessão, o mercado também foi pressionado pela briga de investidores pela formação da Ptax de fevereiro, taxa calculada pelo BC que serve de referência para diversos contratos cambiais.
A alta no dia veio a despeito da constante intervenção do BC no câmbio. Vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais –equivalentes a venda futura de dólares– em suas atuações diárias. Foram 500 contratos para 1º de agosto e 3,5 mil contratos para 1º de dezembro deste ano, com volume equivalente a 197,9 milhões de dólares.
Nesta sessão, a autoridade monetária também fez leilão de venda de até 1,8 bilhão de dólares com compromisso de recompra em 5 de maio, para rolagem dos contratos que vencem em 5 de março. A autoridade monetária aceitou propostas e a taxa de recompra ficou em 2,360860 reais.
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Na véspera, o BC já havia anunciado que não fará o leilão diário de swaps na quarta-feira de cinzas, próxima sessão. Voltará a atuar no dia seguinte.