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SÃO PAULO – O dólar fechou praticamente estável ante o real nesta quarta-feira (31), um retrato do que ocorreu durante quase todo o mês de outubro, com a constante vigilância do Banco Central reduzindo drasticamente a volatilidade da moeda brasileira.
Na avaliação de operadores, há grandes chances de que o dólar permaneça no atual patamar até o final do ano. Parte do mercado acredita, no entanto, que a moeda possa subir um pouco se o cenário externo piorar.
A moeda norte-americana fechou outubro a 2,0303 reais na venda, em leve queda de 0,03 por cento no dia e com alta de apenas 0,11 por cento no mês. Segundo dados da BM&F, o volume negociado neste pregão foi de 2,327 bilhões de dólares.
“Esse cenário deve continuar, a não ser que aconteça algo inesperado no cenário internacional”, disse o estrategista-chefe do banco Crédit Agricole no Brasil, Vladmir Caramaschi.
“A expectativa é que a intervenção do BC seja agressiva em qualquer tentativa de pressão para baixo. Vamos seguir com um regime de câmbio praticamente fixo”, acrescentou ele.
O dólar deverá continuar negociado dentro de um banda muito estreita até o final do ano, uma vez que o BC tem atuado para manter a moeda acima de 2 reais — patamar que as autoridades brasileiras consideram satisfatório para manter a competitividade da indústria nacional.
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A intenção foi evidenciada nesta quarta-feira pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que disse que o governo está “empenhado” em manter o dólar no nível de 2 reais.
Este mês, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o regime cambial atualmente é de flutuação “suja”. Fontes do governo afirmaram à Reuters que o objetivo também é deixar o câmbio mais previsível para encorajar os empresários a investir.
Desde julho, a autoridade monetária vem atuando por meio de leilões de swap cambial reverso –operação que equivale a compra de dólares no mercado futuro– todas as vezes que o dólar ameaça cair abaixo de 2 reais.
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A constante intervenção no mercado –neste mês, o BC vendeu swaps nos dias 5, 23 e 25– reduziu drasticamente a volatilidade no mercado de câmbio.
Nem o fechamento da Ptax de outubro foi capaz de trazer grandes variações ao dólar nesta sessão. A taxa do fechamento do mês da Ptax é usada como referência para diversas operações, fazendo com que investidores briguem por patamares que tragam mais vantagens.
Fluxo cambial
Apesar da expectativa majoritária de um câmbio estável nos próximos meses, há quem veja alguma possibilidade de alta das cotações. A pressão pode ocorrer se houver saídas maiores de dólares do Brasil, que não tem se mostrado mais tão atrativo para a entrada de capital especulativo.
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“A única coisa que pode tirar o dólar daí é o fluxo, que está ficando ruim. Esse é um fator que, em perspectiva, traz uma pressão de alta para o dólar, faz com que não se sustente muito a ideia de que há espaço de queda”, disse o diretor executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.
Segundo dados divulgados pelo BC nesta quarta-feira, o fluxo cambial –entrada e saída de moeda estrangeira no país– ficou negativo em 2,333 bilhões de dólares na semana passada, acumulando saída líquida de 748 milhões em outubro até o dia 26. Nos dois meses anteriores, o fluxo cambial também foi negativo.
“Perdemos atratividade, já não temos juros tão altos, o crescimento está baixo e temos concorrentes hoje, como a Colômbia, o Peru e o México, que podem crescer mais”, ressaltou Nehme.