Dólar segue trajetória de alta e opera com leve valorização a R$ 1,7206

Analistas esperam dia de volatilidade e aguardam mudanças de posição dos hedge funds da ordem de US$ 14,0 bi

Publicidade

SÃO PAULO – O dólar segue sua trajetória de alta e caminha para sua 10ª sessão consecutiva de valorização nesta quarta-feira (14), cotado a R$ 1,7206, ganho de 0,49%.

Segundo analistas, a expectativa para o dia é de instabilidade dos mercados, que seguem reagindo às notícias sobre a Grécia e aos desdobramentos da crise das dívidas no setor financeiro.

“Ou seja, a despeito da melhora de ontem, a conjuntura atual não aponta sinais consistentes de recuperação do humor, o que deve sustentar a volatilidade e a cautela nos mercados financeiros globais”, afirma a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares.

A analista aponta também à expectativa de investidores de que a crise da dívida na União Europeia possa ser amenizada por uma ação coordenada dos países integrantes do Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul).

Sobre o assunto, na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, sem dar muitos detalhes, que tais os países discutirão na próxima semana, em Washington, uma eventual ajuda a Europa.

Cenário interno
No Brasil, o fluxo cambial semanal será avaliado com atenção, principalmente no que se refere às entradas diárias e aos volumes comprados pelo Banco Central mesmo com a alta do dólar.

Continua depois da publicidade

“O movimento atual de alta, é pontual, se bem que pode ser um pouco duradouro, pois afora o movimento de saída de recursos, temos em perspectiva a necessidade dos “hedge funds” desarmarem suas posições vendidas líquidas em “cupom cambial-DDI” da ordem de US$ 14,0 bilhões, o que deve provocar pressão de alta no preço do dólar”, afirma Sindei Nehme, economista e diretor da NGO Corretora de Câmbio.

Agenda externa cheia
Nos Estados Unidos, os investidores acompanharam a divulgação do Retail Sales, relatório que mede as vendas totais do mercado varejista desconsiderando o setor de serviços, que ficou estável durante o mês de agosto. 

Já o Retail Sales (ex-auto), que desconsidera a venda de automóveis, subiu 0,1% e veio pior do que a projeção de 0,3% de analistas.

Continua depois da publicidade

Ainda nos Estados Unidos, o Departamento de Trabalho reportou o PPI (Producer Price Index), índice de preços no atacado, que manteve-se em linha com o esperado durante o mês de agosto. Por sua vez, o Core PPI, que é calculado sem os preços de alimentação, reportou alta de 0,1% frente aos 0,2% estimados.

A agenda norte-americana traz também o Business Inventories, indicador que aponta o nível de vendas e de estoques das indústrias e dos setores de atacado e varejo com base no mês vigente. Por fim, o mercado acompanha o relatório de estoques de petróleo, semanalmente organizado pela EIA (Energy Information Administration).