Dólar resiste a atuação do BC e segue em forte trajetória de queda

Extensão do IOF anunciada na véspera não deverá conter fortalecimento do real, avaliam os analistas

Publicidade

SÃO PAULO – O dólar comercial registra forte queda de 1,18% na sessão desta quinta-feira (7), cotado a R$ 1,5950 na venda, refletindo a decepção com a timidez da medida cambial anunciada na véspera pelo Governo, considerada insuficiente para reduzir o fortalecimento do real.

Em coletiva de imprensa, o ministro da Fazenda Guido Manteda revelou a extensão da incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em empréstimos externos com prazo menor que 2 anos, decepcionando os investidores, que aguardavam medidas mais rigorosas.

Ainda no âmbito das ações do Governo visando restringir a tendência de valorização do real frente ao dólar, o Banco Central já realizou nesta sessão leilão de compra no mercado à vista, todavia sem reverter a trajetória do mercado cambial. A intervenção da autoridade monetária aconteceu entre 12h03 e 12h08, e teve taxa de corte de R$ 1,5944.

Medida insuficiente
Na sessão anterior, a expectativa do mercado em relação ao anúncio de novas medidas para o mercado de câmbio fez com que o dólar fechasse o dia com alta de 0,31%, após passar a maior parte da sessão com trajetória de queda. Entretanto, a medida anunciada – extensão da cobrança de IOF de 6% para empréstimos externos com prazo inferior a 2 anos – foi considerada insuficiente.

Desta forma, já no início da sessão desta quinta-feira, a divisa norte-americana refletia essa avaliação da medida e registrava forte queda de mais de 1,00%, cotada num patamar inferior a R$ 1,60.

Inflação
Ampliando a expectativa pela necessidade de um aperto monetário maior, o IBGE (Instituto brasileiro de geografia e estatística) revelou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), registrou taxa de 0,79% em março, enquanto o mercado projetava variação de 0,65%.

Continua depois da publicidade

Em meio à pressão inflacionária na economia, as ações do Governo no câmbio influenciam também a política monetária. Os consultores da LCA indicam que a medida anunciada na última quarta-feira, embora seja insuficiente, contribui para a restrição da oferta de crédito.

Ao mesmo tempo, analistas avaliam que, caso o real estivesse menos apreciado, a inflação poderia estar em níveis maiores que os atuais. Segundo os analistas do Barclays, o Governo já estaria disposto a aceitar um real mais apreciado, com o objetivo de frear a inflação.

Cenário externo
No cenário externo, ganha destaque nesta sessão o aumento da taxa básica de juro na Zona do Euro. Mais cedo, o BCE (Banco Central Europeu) anunciou um aumento de 0,25 ponto percentual do juro básico na região, que passou de 1,00% ao ano para 1,25% ao ano. Além da crise fiscal, a aceleração do ritmo de aumento dos preços também preocupa as economias europeias.

Continua depois da publicidade

Na agenda norte-americana, destaque para a redução no número de pedidos de auxílio desemprego na última semana. O Initial Claims registrou 382 mil solicitações na semana até 2 de abril, queda de 10 mil pedidos na passagem semanal. Além disso, o indicador também superou as expectativas dos analistas ao registrar um número menor do que o indicado pelas projeções (386 mil pedidos).

Dólar futuro na BM&F também opera em queda
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em maio é cotado a R$ 1.597, forte baixa de 1,42% em relação ao fechamento de R$ 1.620 da última quarta-feira. O contrato com vencimento em junho, por sua vez, opera em forte baixa de 1,41%, atingindo R$ 1.608 frente a R$ 1.631 do fechamento de quarta-feira.