Dólar reduz alta e vai a R$ 3,65 entre atuação do BC e fala de Yellen sobre juros nos EUA

O movimento do câmbio vinha também antes da reunião do PMDB que vai decidir pelo rompimento com o governo

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SÃO PAULO – O dólar teve uma forte redução em sua alta nesta terça-feira (29) após a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmar que o banco central dos Estados Unidos deve prosseguir “cautelosamente” em relação à alta de juros no país, o que acabou enfraquecendo as expectativas de que a autoridade poderia elevar as taxas em um futuro próximo.

A notícia puxou a moeda para baixo, mas não teve força para virar a cotação para o negativo. Isso ocorre porque o Banco Central brasileiro voltou a atuar para sustentar as cotações nesta manhã. O movimento do câmbio vinha também antes da reunião do PMDB que vai decidir pelo rompimento com o governo.

Às 13h57, o dólar avançava 0,83%, a R$ 3,6548 na compra e R$ 3,6560 na venda, após atingir R$ 3,6774 na máxima do dia. A moeda norte-americana recuou 1,51% na sessão passada em antecipação ao desembarque do maior partido da base aliada.

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“Yellen usou um tom mais prudente do que o mercado esperava e isso ajuda o real”, disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano. Em evento em Nova York, Yellen disse que os riscos globais não devem ter impacto profundo sobre os EUA mas ainda é apropriado proceder “cautelosamente” ao aumentar os juros.

O Fed vem sinalizando que pretende promover pelo menos dois aumentos de juros neste ano, o que reduziria a atratividade de ativos emergentes. A esse respeito, Yellen disse que a projeção não é um “plano”, mas depende da evolução da economia.

O dólar chegou a subir com força mais cedo, após o BC vender 19.520 contratos de swap reverso, que equivalem a compra futura de dólares, dos 20.000 ofertados em leilão nesta sessão. Trata-se da quinta operação desse tipo neste mês, ferramenta que não era utilizada há três anos.

“O BC está sinalizando que quer conter a desvalorização do dólar, que vai agir quando o dólar cair demais”, disse mais cedo o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva, ressaltando que a fraqueza da moeda dos EUA tende a prejudicar exportadores brasileiros.

A autoridade monetária também não anunciou para esta sessão leilão de rolagem de swaps tradicionais, que equivalem a venda futura de dólares e que vão vencer em abril. Se não voltar a rolá-los, terá reposto de 67 por cento do lote total, correspondente a 10,092 bilhões de dólares, depois de promover sete rolagens integrais consecutivas.

Para Silva, a atuação do BC tende a limitar o ritmo da queda do dólar no curto prazo, mas o mercado deve continuar testando a disposição do BC de atuar, especialmente se o cenário político continuar favorecendo esse movimento.

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Muitos operadores entendem que a saída do PMDB, acelerada na noite passada pelo pedido de demissão do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, aumenta as chances do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Essa perspectiva é vista com bons olhos por muitos investidores, mas alguns ressaltam que as turbulências políticas tendem a afetar a confiança.

Com Reuters

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.