Comentário diário

Dólar perde os R$ 3,40 e Ibovespa sobe perto de 2,5% após dados fortes da China

Mercado avança em meio à Balança Comercial da China e com expectativas por sequência de dados

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira (8) com desempenho melhor que o esperado das importações chinesas em maio. Os dados chineses impulsionam commodities e os índices norte-americanos, que seguem nas altas que registraram nos últimos dois pregões depois das sinalizações do Federal Reserve.

Às 16h31 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 2,35%, a 51.675 pontos. Já o dólar comercial recua 2,20% a R$ 3,3727 na venda, enquanto o dólar futuro para julho tinha queda de 2,12% a R$ 3,392. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 3 pontos-base a 13,58%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra perdas de 12 pontos-base a 12,31%. 

Por aqui, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados não irá votar a cassação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) até a semana que vem e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, terá reunião com com o diretor-executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional), Otaviano Canuto. O mercado também repercute o IPCA um pouco acima do esperado em maio e o Copom hoje à noite, que será o último presidido por Alexandre Tombini. 

No cenário político ainda saiu a notícia positiva para o governo Temer de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse ao presidente interino, Michel Temer que seu nome não aparece diretamente na Lava Jato. 

Segundo Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos, a alta de hoje tem um fator governamental, um fator China e um efeito forte de dólar. Ele lembra que o que mais puxa a alta da Bolsa hoje é a Petrobras, que tem subido constantemente com o crescimento de 5% na produção, a possibilidade de venda de ativos no Ceará e no Rio de Janeiro e a entrada de Pedro Parente na presidência da estatal. Além disso, a queda do dólar também beneficia a empresa, que é extremamente endividada na moeda norte-americana. “A Petrobras tem R$ 370 bilhões de dívida líquida, de modo que é muito positiva a apreciação do câmbio”, afirma. 

Plácido ainda citou como importante para o desempenho da Bolsa a aprovação da compra do HSBC pelo Bradesco no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). 

Câmbio
Após perder o suporte técnico dos R$ 3,44 ontem, o mercado segue empurrando o dólar para baixo, enquanto fica de olho em uma eventual intervenção do Banco Central por meio dos leilões de swap reverso.

“O dólar tinha um suporte técnico nos R$ 3,44 e foi rompido. O mercado chamou o BC desde segunda-feira para fazer os leilões de swap reverso, mas ele não veio, então ele segue pressionado a moeda para baixo”, disse o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Para ele, essa falta de atuação do BC pode ser até uma estratégia depois de o IPCA vir acima do esperado para o mês de maio. “O BC pode querer deixar o dólar mais fraco para ajudar no processo desinflacionário”. Desde 18 de maio, o BC não atua no câmbio.

DRU
Hoje será votada em segundo turno na Câmara dos Deputados a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da DRU (Desvinculação das Receitas da União). 

PUBLICIDADE

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,10, +8,72%; PETR4, R$ 9,36, +8,58%) sobem em um dia de ganhos para os preços do petróleo. O brent registra alta de 1,94%, a US$ 52,44, tendo chegado a uma máxima de US$ 51,12, o maior valor desde julho de 2015. 

A companhia ainda deu início ao proccesso competiotiv o para venda de seus terminais de gás natural no Rio de Janeiro e no Ceará e das termelétricas associadas a eles, disse a companhia em fato relevante. A capacidade de regaseificação é de 20 milhões de metros cúbicos por dia no terminal do Rio de Janeiro e de 7 milhões de metros cúbicos por dia no terminal do Ceará. Até o momento, não há qualquer acordo firmado que confira segurança quanto à conclusão da transação, nem deliberação por parte da diretoria executiva ou do conselho, disse a Petrobras.

Além disso, segundo a Folha de S. Paulo, o governo espera aprovar as mudanças legislativas que desobrigam a Petrobras de investir no pré-sal antes do chamado “recesso branco”, ocasionado pelo calendário eleitoral e previsto para iniciar na segunda quinzena de julho.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CSNA3SID NACIONALON8,04+15,02
 USIM5USIMINAS PNA2,08+10,64
 PETR3PETROBRAS ON12,10+8,72
 PETR4PETROBRAS PN9,36+8,58
 CPLE6COPEL PNB26,04+6,63

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes sobem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,61, +1,80%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,12, +2,39%; BBDC4, R$ 24,98, +3,05%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,46, +3,19%) avançam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 16,98, +2,47%; VALE5, R$ 13,15, +1,23%) também sobe beneficiada pela alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 0,04% a US$ 52,56 a tonelada seca.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SUZB5SUZANO PAPELPNA12,62-5,11
 FIBR3FIBRIA ON29,33-4,71
 BRKM5BRASKEM PNA20,18-1,80
 EMBR3EMBRAER ON18,67-1,37
 KLBN11KLABIN S/A UNT N216,80-0,89

 

PUBLICIDADE

 

Entre as quedas estavam as exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 29,33, -4,71%) e Suzano (SUZB5, R$ 12,64, -4,96%) operam em fortes quedas por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

Pesquisa da CNT, Meirelles e Canuto e Cade
A CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou os resultados da 131ª Pesquisa CNT/MDA com a primeira pesquisa de avaliação do governo interino de Michel Temer. A avaliação positiva do governo é de 11,3% e a avaliação negativa é de 28%. 

O levantamento traz a avaliação sobre os atuais cenários político e econômico do Brasil, mede a expectativa da população em relação a emprego, renda, saúde, educação e segurança pública, entre outros assuntos. Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões, com a margem de erro de 2,2 pontos percentuais e 95% de nível de confiança.

Além disso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reúne-se com diretor-executivo do FMI, Otaviano Canuto, 10h00, com líderes empresariais no Planalto, 11h00, com presidente da Embraer Defesa, Jackson Schneider, 16h00, e com presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, 17h00. Michel Temer também participará do encontro com líderes empresariais. Além disso, Cade discute acordo entre Bradesco (BBDC4) e HSBC em sessão ordinária a partir das 10h00.

Copom
Sem horário definido para acabar, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) deve mostrar uma manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25%. Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luiz Otávio de Souza Leal, sendo esta a última reunião que será presidida por Alexandre Tombini, provavelmente o comunicado será o mais lacônico possível e não será tomada uma decisão que possa impactar as reuniões seguintes. “Não é do perfil dele entregar um problema para a próxima gestão”, afirma.   

IPCA 
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,78% em maio, frente à alta de 0,61% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (8). O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, de 0,75%, segundo compilação da Bloomberg. No acumulado de 12 meses, o IPCA tem alta de 9,32%, bem acima do teto da meta do governo de 6,5%.No ano, a inflação oficial do país soma elevação de 4,05%

China
O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve a sua previsão para o crescimento econômico do país em 6,8% e elevou suas estimativas para a inflação ao consumidor e crescimento do investimento em ativos fixos. Impactos positivos de crescimento acelerado em imóveis e nos investimentos em infraestrutura serão amplamente compensados pelos impactos negativos da expansão da desaceleração do superávit comercial, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo PBoC nesta quarta-feira. O banco central espera agora que o índice de preços ao consumidor, o principal indicador de inflação, registre alta de 2,4% em 2016. A estimativa no final do ano passado era de +1,7%.

PUBLICIDADE