Dólar opera em alta de 0,9% e já se aproxima da faixa de R$ 1,82

Para especialista, mercado ainda digere as medidas anunciadas pelo governo na última semana para conter a apreciação do real

Publicidade

SÃO PAULO – O dólar comercial segue operando nesta quarta-feira (14) em alta de 0,85%, cotado a R$ 1,815 na venda. Segundo o diretor da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme, a valorização ainda reflete as medidas anunciadas recentemente pelo governo para conter a queda da moeda norte-americana, embora ele discorde da efetividade real dessas manobras.

Na opinião do especialista, essas medidas têm foco muito maior em estimular a economia brasileira – que mostrou fraco crescimento em 2011 – do que propriamente conter a apreciação da divisa brasileira, “O que está fazendo mudar o dólar não são as medidas [do Governo] em si. Se pegar hoje o fluxo [cambial], a enxurrada é uma ficção criada pelo ministro Mantega”, dispara Nehme, ressaltando o saldo positivo de US$ 5,108 bilhões visto no fluxo cambial brasileiro até a segunda semana de março, montante considerado pequeno pelo direitor.

Dessa forma, Nehme ressalta que o câmbio é a via mais rápida para que o governo consiga estimular a atividade econômica nacional. “Se ele [Guido Mantega, ministro da Fazenda] consegue subir o dólar um pouco, ele consegue inibir a importação e estimula um pouco a indústria”, completa.

Contrário às medidas adotadas pelo governo, Nehme diz que elas são impotentes em sua essência – que seria a de inibir o fluxo de capital especulativo -, visto que ela também afeta fluxo de investimentos. “A medida do Governo é ineficaz pois ela cria insegurança. Vai causar efeito, mas não pelo objetivo que queria”, conclui.

Agenda
Nos Estados Unidos, o Import Prices (ex-oil) registrou queda de 0,1% durante o mês de fevereiro, após subirem 0,1% no período imediatamente anterior. Já a inflação dos bens exportados ao resto do mundo a partir dos EUA foi de 0,5% no mesmo mês.

Ainda nos Estados Unidos o déficit em conta corrente da economia subiu acima das estimativas durante o quarto trimestre do ano passado, apontando US$ 124,1 bilhões negativos no período, ante expectativa de déficit de US$ 113,8 bilhões. Também foi revelado o relatório semanal de estoques de petróleo norte-americano, que avançou 0,5% na passagem semanal.