Dólar mantém trajetória e encerra mais uma sessão em baixa

Queda no risco país e expectativa de entrada de recursos derrubaram a moeda norte-americana nesta terça-feira

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SÃO PAULO – O dólar comercial fechou em baixa nesta terça-feira, mantendo a tendência verificada ao longo das últimas sessões. Analistas acreditam que a ausência do Banco Central, que não atua no mercado de câmbio desde o dia 17 de março, e a expectativa de entrada de recursos têm pressionado a moeda norte-americana.

Neste sentido, nem a aceleração da inflação em março, apurada pelo IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor – Fipe), foi capaz de conter as perdas do dólar. O indicador registrou uma inflação de 0,79% no mês em questão, acima da variação positiva de 0,36% do referencial anterior.

Queda no risco país contribui

Outro aspecto que ajudou a pressionar a moeda norte-americana nesta terça-feira foi a queda no risco país, ilustrando o bom desempenho dos títulos da dívida externa brasileira, o que estimula a entrada de recursos no país.

Além disso, a expectativa de realização ou não de leilão de swap pelo Banco Central também influenciou o mercado de câmbio brasileiro. Nas últimas três semanas, a entidade optou por não realizar as operações, afirmando apenas que a decisão foi tomada “após a avaliação das condições de mercado”.

Analistas acreditam que a autoridade monetária esteja preocupada com as metas de inflação. Desta forma, não estaria interessada na escalada do dólar e, como um dos efeitos do leilão de swap é a compra da moeda norte-americana no mercado futuro, o banco tem optado por não realizá-lo.

Cenário externo

No campo internacional, o destaque da sessão foi o discurso do presidente do Fed, Alan Greenspan, e o chairman afirmou que acredita na queda do preço do petróleo. De fato, após ter registrado novo recorde histórico na última sessão, o preço da commodity caiu nesta terça-feira.

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Neste mesmo sentido, o banco de investimento norte-americano Merrill Lynch também afirmou que espera a queda do preço do petróleo no curto prazo. Caso o cenário se confirme, as pressões inflacionárias nos EUA devem ser menores, o que possibilitaria um novo aumento gradual do juro daquele país.

Dólar fecha em queda

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,6240 na compra e R$ 2,6250
na venda, baixa de 0,61% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
2,8260, representando um ágio de 7,70%
em relação ao dólar comercial.
Com esta queda, o
dólar acumula desvalorização de 1,61% em abril, frente
à baixa de 1,65% registrada no mês passado.

No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 1,06%.

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Dólar futuro na BM&F
também fechou em queda

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em maio
encerrou o dia cotado a R$ 2.653,
baixa de 0,60% em relação ao fechamento
de R$ 2.669
da última segunda-feira. O contrato com vencimento em junho, por sua vez, fechou em baixa de 0,59%,
atingindo R$ 2.686 frente
à R$ 2.702 do fechamento de
segunda-feira.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 3,12% para junho de 2005, com queda de 0,07 ponto percentual em relação ao fechamento da sessão anterior. Já o contrato referente a janeiro de 2006, encerrou a 3,98%, com alta de 0,03 ponto percentual em relação ao fechamento da sessão anterior.