Dólar inverte sinal de abertura e fecha em sua terceira queda consecutiva

Intervenções do BC para equilibrar o câmbio já somam US$ 48,5 bilhões, segundo Meirelles, mas reservas não foram afetadas

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SÃO PAULO – Depois de passar metade do dia operando em alta, o dólar comercial inverteu sua trajetória e encerrou esta quarta-feira (26) em expressiva queda, configurando seu terceiro fechamento consecutivo em sinal negativo.

Contribuindo com a inversão da divisa, o Banco Central realizou novo leilão de contratos de swap cambial. Nesta sessão, boa parte dos 27.000 contratos ofertados foi absorvida, movimentando um total de US$ 1,013 bilhão.

Segundo o presidente do órgão, Henrique Meirelles, já foram vendidos US$ 6,3 bilhões em dólares das reservas internacionais, que hoje somam US$ 205,7 bilhões. Além disso, foram disponibilizados US$ 6,9 bilhões em leilões de dólares de linhas externas e outros US$ 5,3 bilhões nos leilões de moeda direcionados ao comércio exterior. Mais US$ 30 bilhões foram listados, gastos em contratos de swap cambial.

Apesar disso, Meirelles afirmou que as reservas internacionais do Brasil não diminuíram. “A maioria das operações de câmbio não afeta as reservas. Além do mais, boa parte das reservas brasileiras está aplicada em títulos de governos, principalmente dos EUA. Esses títulos, com a crise, têm aumentado de valor, o que compensa os cerca de US$ 6 bilhões vendidos pelo BC no mercado”, explicou.

Fluxo cambial

Os efeitos do pessimismo dos últimos meses foram vistos novamente no movimento brasileiro de câmbio. Conforme dados da autoridade monetária, o fluxo cambial acumulado nos primeiros quinze dias úteis de novembro ficou negativo em US$ 2,639 bilhões.

Para a consultoria LCA, os dados do fluxo comercial sinalizam uma relativa moderação das saídas financeiras frente ao saldo apontado em outubro, negativo em US$ 4,639 bilhões. “A leve melhora registrada em novembro tem potencial de trazer algum alívio aos mercados, mas as oscilações da taxa de câmbio continuam bastante associadas à incerteza do cenário internacional”, afirmou a equipe.

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Cenário externo

Os indicadores negativos da economia dos EUA foram compensados pela boa impressão trazida pela nova equipe econômica do presidente eleito Barack Obama para combater a crise. O nome de Paul Volcker foi confirmado para o cargo de chefe do comitê destinado ao controle da crise.

A Comissão Européia cooperou com a amenização do desconforto dos investidores ao anunciar gastos bilionários em pacote de combate à crise. Um plano de estímulos fiscais no valor de 200 bilhões de euros, o equivalente a US$ 260 bilhões foi aprovado pelos membros, o que aliviou um pouco o ânimo dos mercados.

Os sinais de recessão na maior economia mundial, porém, não cessam. O volume de pedidos de ordens e entregas de bens duráveis despencou o dobro do esperado, a taxa de gastos com consumo no país marcou sua maior queda desde 2001 e o nível de atividade industrial de Chicago também veio abaixo do previsto em novembro.

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Confira as cotações

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,2740 na compra e R$ 2,2760 na venda, forte baixa de 2,15% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 2,4000, representando um ágio de 5,54% em relação ao dólar comercial.

Apesar desta queda, o dólar acumula valorização de 5,37% em novembro, frente à alta de 13,33% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 28,15%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em queda

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em dezembro encerrou o dia cotado a R$ 2.265, forte baixa em relação ao fechamento de R$ 2.313 da última terça-feira. O contrato com vencimento em janeiro também teve forte baixa, atingindo R$ 2.298 frente
à R$ 2.348 do fechamento de ontem.

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O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,2750000.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,70% para dezembro de 2008, 0,75 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.