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Dólar cai a R$ 5,43 com exterior e Ptax; moeda cai 5% no mês e 12% no semestre

Divisa encerrou a sessão no menor valor de fechamento desde 19 de setembro do ano passado, quando encerrou em R$5,4213

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Notas de dólares e moedas de real (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino)
Notas de dólares e moedas de real (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino)

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O dólar emplacou nesta segunda-feira a terceira sessão consecutiva de queda no Brasil e encerrou o dia no menor valor desde setembro do ano passado, puxado pela disputa entre investidores pela formação da Ptax de fim de mês e trimestre e pelo recuo da moeda norte-americana no exterior.

A queda no ano foi de 12%, enquanto no mês a divisa acumulou baixa de 4,99% e, no trimestre, recuo de 4,76%.

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O mercado de câmbio brasileiro foi influenciado desde o início do dia pela disputa pela formação da Ptax de fim de mês e trimestre.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

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A disputa é especialmente intensa nos finais de trimestre — como visto nesta segunda-feira — porque a taxa também serve de referência para conversão de valores em moeda estrangeira nos balanços e demonstrações financeiras de muitas empresas no Brasil.

Qual a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista fechou em baixa de 0,88%, aos R$5,4350, no menor valor de fechamento desde 19 de setembro do ano passado, quando encerrou em R$5,4213. No mês a divisa acumulou baixa de 4,99% e, no trimestre, recuo de 4,76%.

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Dólar comercial

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O que aconteceu com dólar hoje?

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo o apetite por risco no exterior, o que derrubava a moeda norte-americana frente a uma série de pares, uma vez que os mercados reagiam positivamente a novidades nas disputas comerciais entre Washington e outros países.

Na véspera, o Canadá revogou seu imposto sobre serviços digitais voltado para empresas de tecnologia norte-americanas, poucas horas antes de entrar em vigor, em uma tentativa de avançar nas negociações com os EUA. Em resposta, a Casa Branca afirmou que as discussões reiniciarão imediatamente.

Em outro sinal positivo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, indicou que haverá uma série de acordos comerciais na semana final antes do prazo de 9 de julho para o fim da trégua tarifária, mesmo que tenha alertado que o país elevará novamente as taxas após a data limite.

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Devido à expectativa de redução das tensões comerciais com a proximidade do prazo de 9 de julho, os investidores buscavam ativos mais arriscados, na esteira também de apostas mais otimistas sobre cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve neste ano.

“Os mercados começam o dia com uma nota positiva, impulsionados pela notícia de que o Canadá retirou seu imposto sobre serviços digitais para empresas de tecnologia, em um esforço para retomar as negociações comerciais com os Estados Unidos”, afirmaram analistas da BTG em relatório.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,21%, a 96,990.

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A moeda também caía ante pares do real, como o rand sul-africano e o peso chileno.

No Brasil, a volatilidade — e consequentes ganhos da divisa brasileira — foi exacerbada pela disputa da definição da Ptax de fim de mês e de trimestre.

“Esse mês, em particular, a Ptax vai ser um pouco mais importante, porque é final de semestre, então é bem possível que empresas e instituições tenham programado alguma movimentação de câmbio no final do semestre”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Na semana passada, operadores relataram à Reuters um fluxo maior na saída de dólares do país com a aproximação do fim do trimestre e após a derrubada pelo Congresso das novas alíquotas impostas pelo governo para o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Pela manhã, quando as negociações no exterior estavam mais estáveis e antes das janelas de negociação da Ptax, o dólar chegou a acumular ganhos no Brasil, atingindo a máxima de R$5,5063 (+0,42%), às 9h39.

(Com Reuters)