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Dólar hoje sobe a R$ 5,58, refletindo operação contra Bolsonaro e tensões comerciais

Investidores seguiam de olho na resposta brasileira à ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifa de 50% ao país

Felipe Moreira

Um trabalhador conta notas de dólar americano em uma casa de câmbio em Jacarta, Indonésia, na quarta-feira, 2 de março de 2022. (Foto: Dimas Ardian/Bloomberg)
Um trabalhador conta notas de dólar americano em uma casa de câmbio em Jacarta, Indonésia, na quarta-feira, 2 de março de 2022. (Foto: Dimas Ardian/Bloomberg)

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 O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil após o ex-presidente Jair Bolsonaro ser alvo de operação da Polícia Federal, com as cotações refletindo o receio de investidores de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possa anunciar retaliações ao Brasil, ampliando os ataques comerciais ao país.

As tensões comerciais entre Brasil e EUA continuaram como principal ponto de atenção no mercado nacional, uma vez que os investidores monitoram a possibilidade de negociações antes da entrada em vigor da taxa tarifária anunciada por Trump em 1º de agosto.

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Qual a cotação do dólar hoje?

A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 0,72%, aos R$5,5875, no maior nível de encerramento desde 4 de junho, quando foi cotada em R$5,6450. Na semana, o dólar acumulou alta de 0,71%.

Às 17h07, na B3, o dólar para agosto — atualmente o mais líquido no Brasil – subia 0,66%, aos R$5,6040.

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O que aconteceu com dólar hoje?

Na última atualização do governo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na véspera, em pronunciamento à nação, que a carta de Trump anunciando a tarifa é uma “chantagem inaceitável” e defendeu a soberania do Brasil na atuação ante empresas digitais, criticada pelo norte-americano.

“O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável”, disse Lula

Do lado dos EUA, Trump voltou a vincular na quinta-feira a adoção de tarifa sobre os produtos do Brasil ao julgamento por tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme carta enviada pelo norte-americano ao ex-mandatário brasileiro.

Na carta, cuja tradução em português foi publicada por Bolsonaro na rede social X, Trump fala de suposto “tratamento terrível” recebido pelo ex-presidente “pelas mãos de um sistema injusto voltado contra você”.

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Nesta sexta, Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e terá de usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas restritivas, em uma escalada dos problemas enfrentados por Bolsonaro com a Justiça.

Diante das incertezas sobre as tensões entre Brasil e EUA, os investidores optavam pela cautela, o que significava um posicionamento contido contra a divisa brasileira.

“Trump ontem voltou a vincular a aplicação de impostos pesados sobre produtos brasileiros aos processos judiciais que enfrenta Bolsonaro e por isso traz um pouco mais de receios e dúvidas entre investidores sobre possíveis soluções”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

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“Ao vincular as tarifas a temas políticos e judiciários do Brasil, fica um pouco mais difícil tentar entender o que o Brasil pode oferecer ou negociar com os EUA para tentar resolver essas discrepâncias”, completou.

(Com Reuters e Estadão Conteudo)