Dólar fecha com forte alta de 1,05%, refletindo aumento de aversão ao risco

Bélgica e Itália têm perspectivas para rating cortadas; balança comercial, Focus e intervenção do BaCen são destaques internos

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SÃO PAULO – O dólar comercial fechou esta segunda-feira (23) com forte alta de 1,05%, terminando cotado na venda a R$ 1,632. A apreciação da divisa norte-americana também foi vista em relação às principais moedas do mundo, refletindo o aumento da percepção de risco por conta do cenário atual da economia europeia. Os números da balança comercial brasileira, as projeções do Focus e as intervenções do Banco Central também repercutiram. 

A autoridade monetária brasileira continuou a realizar leilões para compra de dólares no mercado à vista, tendo realizado uma operação para tal, que se estendeu das 15h47 (horário de Brasília) às 15h52, com uma taxa de corte de R$ 1,6314.

Ainda por aqui, foram divulgados os dados da balança comercial da terceira semana de maio, período no qual foi registrado um superávit de US$ 286 milhões, fazendo com que o acumulado do mês de maio atingisse US$ 2,746 bilhões positivo. Já no ano, as exportações superaram as importações em US$ 7,775 bilhões.

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Já o relatório Focus voltou a ter como destaque as projeções para a inflação. Segundo os economistas ouvidos pelo Banco Central, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve apontar taxa de 0,48% em maio e 6,27% no acumulado deste ano. Para o mercado de câmbio, a expectativa é de que o dólar encerre o mês de maio cotado a R$ 1,60, mesmo valor esperado para o fim de junho. Já para o final de 2011, a mediana das projeções aponta para uma taxa de câmbio em R$ 1,62.

Aversão ao risco aumenta na Europa
O sentimento de risco, porém, foi o grande driver para a moeda – que teve valorização não apenas em relação ao real como ao euro, libra esterlina, iene, dólares canadenses e australianos e francos suíços.

A crise da dívida soberana europeia chamou a atenção, com desdobramentos na Espanha, onde o partido governista perdeu as eleições locais em meio a protestos contra medidas de ajuste fiscal, Itália e Bélgica, que tiveram as perspectivas para seus ratings sendo rebaixadas por Standard’s & Poor’s e Fitch, respectivamente. Já na Grécia, o foco fica na discussão de novas medidas de austeridade para reduzir o déficit do país. 

Dólar comercial e futuro
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,6300 na compra e R$ 1,6320 na venda, forte alta de 1,05% em relação ao fechamento anterior. Com esta alta, o dólar acumula valorização de 3,75% em maio, frente à baixa de 3,56% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 2,05%. 

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em junho segue o dia cotado a R$ 1,638, alta de 0,65% em relação ao fechamento de R$ 1,628 da última sexta-feira. O contrato com vencimento em julho, por sua vez, opera em alta de 0,55%, atingindo R$ 1,648 frente à R$ 1,639 do fechamento de sexta-feira. 

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,6306000.

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FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 3,85 para julho de 2011, 0,20 ponto percentual abaixo ao que foi registrado na sessão anterior.