Dólar fecha acima de R$ 3,14 e atinge maior cotação em mais de um ano

Cenário internacional instável, possível alta no juro dos EUA e cenário político contribuem para um dia de muito nervosismo

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SÃO PAULO – A moeda norte-americana fechou em expressiva alta nesta segunda-feira, refletindo a vulnerabilidade do cenário externo e interno. Os diversos acontecimentos no campo internacional têm atingido os investidores internacionais, que estão realizando um fluxo negativo de capital das economias emergentes.

Cenário externo conturbado preocupa investidores

Vários fatos continuam contribuindo para o nervosismo dos investidores internacionais, que com isso passam a ter maior aversão ao risco. O assassinato do presidente da Tchetchênia, Akhmad Kadyrov, morto na explosão de uma bomba em Grozni, capital tchetchena, ameaça os esforços de Moscou de estabilizar e controlar a república separatista russa, visto que o presidente era apoiado por Moscou e importante ator para a pacificação da região.

As instabilidades no Iraque, agravadas com a divulgação de inúmeras fotos de soldados norte-americanos torturando presos iraquianos, também contribuem para o clima de tensão. Além disso, as ameaças constantes de rebeldes e líderes iraquianos e ainda o bombardeio do escritório de Al Sadr, que lidera uma insurgência contra a ocupação liderada pelos EUA e é procurado pelas forças da coalizão, também preocupam o mercado.

Somando-se a isso, tem-se a contínua preocupação em relação ao aumento da taxa de juro norte-americana, pois devido aos bons indicadores econômicos divulgados nas últimas semanas, o mercado acredita que tal aumento deva ocorrer já nos próximos meses.

Imagem de Lula em jogo, segundo imprensa dos EUA

Intensificando o clima de tensão, há o artigo do jornal norte-americano The New York Times, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a bebida. Segundo o artigo, o presidente brasileiro nunca escondeu sua predileção por bebidas alcoólicas e afirma que alguns brasileiros estão se questionando se a predileção de seu presidente por bebidas está afetando sua performance no cargo.

Não é preciso dizer que o artigo gerou uma série de reações no governo e no próprio partido do presidente, que classificaram o artigo como injusto e calunioso.

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Fluxo negativo de capital intensifica-se

Apesar de tanto o governo quanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) tentarem convencer o mercado que o Brasil enfrenta apenas uma turbulência influenciada pelo cenário externo, e não uma crise, a fuga de capital da economia brasileira não vem sendo contida.
Isto porque com dólar, risco país e juro nos EUA mais altos é mais atraente e seguro para os investidores globais retirarem seus recursos de economias emergentes, como a do Brasil, e investirem em economias mais sólidas, como a norte-americana.

Dólar fecha em forte alta

Com isso, o dólar comercial fechou cotado a R$ 3,1380 na compra e R$ 3,1410
na venda, forte alta de 2,55% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
3,0630, representando um deságio de 2,39%
em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o
dólar acumula valorização de 7,16% em maio, frente
à baixa de 1,65% registrada no mês passado.

No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 8,24%.

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Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em junho
encerrou o dia cotado a R$ 3.173,
forte alta de 2,62% em relação ao fechamento
de R$ 3.092
da última sexta-feira. O contrato com vencimento em julho, por sua vez, fechou em forte alta de 6,55%,
atingindo R$ 3.203 frente
à R$ 3.006 do fechamento de
sexta-feira.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,00% para julho de 2004, alta de 0,31 ponto percentual em relação ao fechamento anterior. Já o contrato de maior liquidez, referente a janeiro de 2005, encerrou a 4,60%, alta de 2,24 ponto percentual em relação ao fechamento da sessão anterior.

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