Dólar dispara quase 2%, volta para R$ 3,15 e reverte tendência para alta

Agenda cheia na semana e forte alta em pouco tempo da moeda altera tendência da moeda, que até então oscilava próxima dos R$ 3,00

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SÃO PAULO – Se ontem o dólar amenizou os ganhos após disparar mais de 1%, nesta terça-feira (26) o movimento da moeda se sustenta com mais força, levando  a divisa para seu maior nível em quase 2 meses, podendo deixar para trás a tendência de queda. Às 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial operava com forte alta de 1,78%, para R$ 3,1530 na compra e R$ 3,1531 na venda, próximo da máxima do dia.

A confirmação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre sua ausência no anúncio dos cortes do governo na sexta-feira, alegando uma gripe, ajudou a aliviar o pessimismo que teve início ontem, ajudando tanto a Bolsa a subir quanto o dólar a ficar praticamente estável na última sessão. Porém a semana promete ser agitada até o fim, o que tende a aumentar a tensão no mercado.

Segundo o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o dólar também ganha força ante outras moedas no resto do mundo, levando o Dollar Index para uma reversão de sua tendência de médio prazo. “Teremos até a próxima sexta-feira agenda muito cheia e em poucas horas o dólar subiu de forma muito firme no exterior com dados melhores e discursos favoráveis a alta dos juros em meio ao temor de default da Grécia e China mais fraca”, explica.

Por aqui, os investidores agora se atentam às votações das MPs 664 e 665 no Senado, programadas para hoje, porém, o que se tem falado é que o governo prefere não votar a MP 664 – que trata das pensões – e deixar caducar. “Nas últimas horas as notícias ruins estão prevalecendo e os pontos indicados (política no Brasil – Grécia e dados dos EUA) estão vindo a favor da alta do dólar”, afirma Júnior. “Vemos hoje no Brasil e no mundo o dólar tentando romper o gatilho para voltar a subir no médio prazo”, completa.

Além disso, vale ficar atento ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que participa nesta tarde de audiência pública na Comissão Mista do Orçamento (CMO). Tombini será acompanhado dos diretores de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, e Administração, Altamir Lopes.

Entre os indicadores no exterior, nos EUA mais americanos compraram casas novas em abril em um sinal de que o mercado de trabalho mais forte está ajudando o setor imobiliário. O Departamento do Comércio dos EUA mostrou que as vendas de casas novas subiram 6,8% em abril, para uma taxa anualizada ajustada sazonalmente de 517 mil unidades. As vendas se recuperaram de uma queda de 10% em março.

Enquanto isso, a confiança do consumidor americano apresentou melhora em maio, segundo pesquisa do instituto Conference Board. O índice que mede esse sentimento passou de 94,3 em abril para 95,4 agora. Já o Índice da Situação Atual saiu de 105,1 em abril para 108,1 em maio. O Índice de Expectativas, no entanto, partiu de 87,1 em abril para 86,9 neste mês.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.