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SÃO PAULO – Apontando forte apreciação logo no inicio da sessão, o dólar comercial aponta forte valorização de 4,61%, cotado a R$ 1,943 na venda. Na véspera, a moeda alcançou sua quarta sessão consecutiva de alta, com variação positiva de 3,75% – a maior desde 6 de novembro de 2008 -, fechando a R$ 1,858, seu máxima desde 8 de junho de 2010.
Esta forte valorização da divisa norte-americana é atribuída tanto a fatores internos quanto externos. “No curto prazo, o agravamento dos riscos amplia de forma significativa a imprevisibilidade de uma solução de longo prazo para a economia global e a estabilidade dos mercados financeiros”, avalia a diretor de Cambio da AGK Corretora, Miriam Tavares.
Na véspera, o Federal Reserve anunciou a chamada “Operação Twist”, que consiste em um processo de US$ 400 bilhões e que terá a venda títulos públicos de curto prazo e a compra de títulos de longo prazo. Trata-se de um esforço do banco norte-americano para tornar o crédito mais barato e impulsionar os gastos e os investimentos naquele país.
No entanto, no comunicado divulgado pelo Fomc (Federal Open Market Committee), a avaliação de que o crescimento econômico permanece lento e de que há “riscos significantes” para o cenário econômico, incluindo tensões nos mercados financeiros, aumentou o clima de aversão no mercado.
No velho continente…
Tudo isso deve ser somado às constantes preocupações sobre a crise da dívida européia, que permanece indefinida. O repasse de novos recursos financeiros para “salvar” a Grécia não está definido, e o país pode declarar “default” (calote).
“Neste contexto, os investidores internacionais estão se desfazendo de ativos emergentes, numa onda de reprecificação motivada pelos temores de recessão global, além da situação extremamente delicada da Grécia e da zona do euro”, conclui Miriam.
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Cenário interno pesa
Especialistas atribuem ainda a este forte movimento de alta o corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, anunciada pelo Banco Central no fim de agosto.
“A redução inesperada do juro, fez com que o mercado passasse a enxergar o BC como parte do esforço coordenado do Governo para depreciar (em termos nominais) a moeda, mesmo que isso conflite, de alguma forma, com o objetivo de fazer a inflação convergir para o centro da meta. E, assim, passou a apostar contra o real nos mercados futuros que, por arbitragem, eleva também a taxa de câmbio spot, apesar do fluxo cambial positivo. E como o mercado futuro opera colado no mercado à vista, e a mudança de posição foi brusca, observamos este movimento de alta agora”, explica Antônio Madeira, economista da MCM Consultores Associados.
Indicadores importantes
Na agenda doméstica desta quinta-feira a Serasa Experian apresentou o PIB (Produto Interno Bruto) mensal, que marcou leve alta de 0,4% na atividade brasileira em julho.
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Já o Banco Central publica a Nota de Mercado Aberto de agosto, um relatório sobre as operações financeiras realizadas no mercado aberto pela instituição monetária.
Nos Estados Unidos, o Initial Claims, índice semanal que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego, marcou Initial Claims registrou um total de 423 mil novos pedidos na semana até 16 de setembro, frente às projeções que giravam em torno de 418 mil solicitações.
Mais tarde, os investidores também acompanham o FHFA – House Price Index, dado que mensura o preço cobrado pelas hipotecas às famílias norte-americanas. O Leading Indicators, relatório que compreende vários índices já divulgados, como pedidos de auxílio-desemprego, custo de mão-de-obra e permissões para construção, será divulgado também às 11 horas da manhã.