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SÃO PAULO – Há meses que a “aposta” do mercado e dos especialistas é de que o dólar vai se aproximar dos R$ 4,00 ainda neste ano. A tendência de alta continua, mas diante do complicado – para não dizer confuso – cenário político e econômico nacional, analistas já têm dificuldade em conseguir fazer uma projeção para o câmbio, que diferente do que se espera no exterior, não deve passar por uma correção tão cedo.
O dólar comercial fechou com ganhos de 1,95%, a R$ 3,7591 na compra e R$ 3,7598 na venda, após chegar aos R$ 3,7701 no intraday. Com isso, a divisa supera o nível visto em 13 de dezembro de 2002, quando fechou cotada a R$ 3,7340. Enquanto isso, o dólar futuro para outubro tem ganhos de 1,78%, a R$ 3,8005.
A questão agora é que a volatilidade e a pressão sobre a moeda devem permanecer por mais tempo do que se esperava anteriormente, segundo destaca a equipe de análise da LCA Consultores.
Um dos motivos para tanta dúvida dos especialistas passa pelo “fim da certeza” de alta de juros nos EUA ainda neste ano. Fosse em setembro ou dezembro, até pouco tempo o mercado tinha como certa a elevação das taxas em 2015, fato que mudou nas últimas semanas, principalmente por conta da China, o que altera a tendência de alta da moeda no mundo todo.
“Nosso cenário base vinha antecipando para a virada do 3º para o 4º trimestre deste ano um período de maior volatilidade cambial – associada, em particular, à perspectiva de elevação dos juros nos EUA –, que seria seguido de um moderado refluxo das pressões sobre o câmbio mais para o final do ano”, disse a equipe da LCA.
A exceção para a correção fica com o Brasil, onde o cenário interno “anula” esta mudança de perspectiva da divisa e pressiona o dólar para novas altas. “A evolução recente da conjuntura internacional e, sobretudo, os desdobramentos da conjuntura doméstica parecem vir sugerindo que esse período de maior volatilidade cambial poderá se estender para além do que vínhamos antecipando”, diz o relatório da consultoria.
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Nos próximos dias a volatilidade deve continuar por conta da agenda tanto interna quanto no âmbito internacional. Como destaca o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, os próximos dias serão de tensão no Congresso, enquanto no exterior os investidores se preparam para receber o relatório de emprego nos EUA, fator que pode aumentar – ou anular – as dúvidas sobre a alta de juros por lá.