Dólar dispara e entra em ponto importante que pode definir alta até R$ 4,19

Moeda subiu quase 2% nesta terça e atingiu os R$ 4,07 com tensão política voltando ao radar dos investidores

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SÃO PAULO – O dólar comercial disparou quase 2% nesta terça-feira (16), voltando a ficar acima de R$ 4,00, com investidores apreensivos com as incertezas políticas e econômicas no Brasil e pressionado pela queda do petróleo diante de expectativas frustradas de corte imediato da oferta e preocupações com a saúde da economia global. O dólar subiu 1,86%, a R$ 4,0680 na compra e R$ 4,0705 na venda.

Segundo o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a sessão de hoje marca a entrada em um ponto “muito importante”, onde não só o patamar da moeda, mas os eventos dos próximos dias, podem definir o futuro do dólar. Em relatório, ele explica que com a divisa acima de R$ 4,02, é possível voltarmos a ver um cenário de estresse, onde o dólar pode começar a buscar os R$ 4,19 nas próximas semanas.

Nesta quarta-feira (17) ocorrem dois importantes eventos, com a ata da última reunião do Fomc, que pode dar maiores indícios sobre a estratégia do Federal Reserve sobre elevar mais os juros nos Estados Unidos, ou até mesmo cortar as taxas – fato que já está sendo projetado por alguns especialistas. Enquanto isso, no cenário doméstico, o PMDB vota amanhã seu novo líder, o que pode definir uma potencial ajuda – ou problemas – para o governo daqui para frente.

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Sobre o cenário desta terça, investidores temem que o governo se afaste do rigor fiscal que vem prometendo desde o ano passado diante da profunda recessão econômica e das turbulências políticas.

As preocupações locais se somavam no início da tarde às perdas nos preços do petróleo, que passou a cair depois que Rússia e Arábia Saudita concordaram em congelar a produção nos níveis de janeiro se outros grandes exportadores se juntarem a eles. Irã, no entanto, era um dos entraves ao plano. “As moedas ligadas a commodities acompanham o petróleo, uma segue a outra”, disse o operador da Correparti Jefferson Luiz Rugik.

Mais cedo, a alta das ações chinesas à máxima em três semanas limitava o fortalecimento da moeda norte-americana, com investidores recebendo bem declarações do premiê do país, Li Keqiang, acenando para a possibilidade de novos estímulos se a economia desacelerar mais.

Operadores ressaltavam ainda que o mercado voltava a ganhar volume nesta sessão, após o pregão de liquidez reduzida na segunda-feira devido ao feriado do Dia dos Presidentes nos Estados Unidos, que manteve os mercados locais fechados.

Nesta manhã, o Banco Central promoveu mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em março, vendendo a oferta total de 11,9 mil contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou US$ 5,217 bilhões, ou cerca de 52% do lote total, que equivale a US$ 10,118 bilhões.

Com Reuters

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Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.