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SÃO PAULO – Depois de superar sua máxima em 12 anos, chegando a R$ 3,30, o dólar comercial volta a ter alívio, seguindo o movimento visto na última sessão. Nesta segunda-feira (23) a moeda norte-americana fechou com perdas de 2,63%, a R$ 3,1423 na compra e R$ 3,1453 na venda, perdendo com folga o patamar dos R$ 3,20. Mas especialistas alertam: se prepare porque a semana promete volatilidade e, segundo as últimas sinalizações, o Banco Central quer manter o dólar alto.
Apesar do alívio no câmbio, a semana começa sem grandes mudanças nos fatores que pressionaram a moeda nas últimas semanas. A diferença é que o dia não tem grandes novidades sobre a discussão política no Congresso, o que deixa os investidores mais “calmos” para ficarem atentos ao principal fato da semana: a decisão do Banco Central sobre a continuidade do programa de intervenção no câmbio.
O presidente do BC, Alexandre Tombini fará dois discursos nesta semana e as atenções ficam sobre as sinalizações dos próximos passos da autoridade monetária. A equipe da Guide Investimentos destaca a fala de Tombini amanhã no Senado e ressalta que é bem possível que ele fale sobre a intenção – ou não – de encerrar o programa de swaps. “O eventual fim do programa de oferta diária de contratos de swap cambial pode gerar volatilidade, e acentuar a depreciação da nossa moeda”, afirmam os analistas.
A segunda vez que o presidente do BC fará discurso será na quinta-feira (26), após a divulgação do relatório trimestral de inflação. Sobre o documento, a equipe da SulAmérica Investimentos,, liderada pelo economista Newton Rosa, afirma que o documento trará grandes mudanças na perspectiva do governo para a economia nesta ano. Sobre o PIB a projeção deve passar de 0,6% do último relatório para -0,5% para 2015.
Já a expectativa de câmbio para o final do ano deve ser alterada de R$ 2,55 para R$ 3,10, no cenário de referência, enquanto a premissa de Selic deve aumentar de 12,50% para 13,00%. Isso vai em linha com as recentes sinalizações do próprio BC, que parece acreditar que um patamar mais elevado do dólar seja positivo para a recuperação, mesmo que traga pressões inflacionárias, que estão sendo combatidas com alta nos juros.
Essa é a visão do diretor de câmbio da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, que destaca em sua carta diária nesta segunda que “o BC rolou até o momento tão somente 53% da posição vincenda de contratos de ‘swaps cambiais’ ao final do mês e mantém a dúvida se continuará ou não a partir de abril com o programa que contempla oferta mensal de rolagem destes instrumentos e mais uma ‘ração diária’ adicional”.
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Segundo ele, tudo indica que a autoridade monetária sinaliza que o preço dólar mais elevado é o instrumento mais rápido para a “imprescindível revitalização da atividade econômica”. “Mas, o preço do dólar mais elevado pressionará a inflação, que não parece ser a prioridade maior neste momento por parte do governo, que a combate com a elevação da Selic, mas a retomada da atividade parece ser a preocupação maior”, destaca Nehme.
Seguindo a agenda recheada de eventos que devem impactar o dólar e a falta de mudança no cenário político local, Nehme deixa o alerta: “Há como um hiato nos embates locais, o que não quer dizer que as divergências tenham sido contornadas, por isso consideramos como potencial o risco da moeda americana vir a sofrer apreciação forte e pontual, de forma absolutamente imprevista, o que nos leva a sugerir atenção a este movimento baixista que se presencia, que tem baixíssima sustentabilidade”.