Publicidade
SÃO PAULO – O dólar comercial acentuou as perdas na tarde desta terça-feira (1) e fechou próximo da mínima do dia com uma combinação de cenário favorável tanto no exterior quanto por aqui. A moeda norte-americana passa por um dia de queda contras as principais divisas, mas acentua a desvalorização contra o real por conta do noticiário envolvendo delações premiadas da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, que pesam contra o governo Dilma.
O dólar comercial fechou com forte queda de 1,56%, cotado a R$ 3,9404 na compra e R$ 3,9411 na venda, após chegar a R$ 4,0135 na máxima da sessão. No exterior, o dia é de perdas por conta da recuperação do petróleo – que sobe após a Rússia indicar que está próxima de um acordo para paralisar sua produção da commodity -, e também pela notícia do corte do compulsório na China, anunciado ontem e que ainda reflete no mercado.
No cenário doméstico, destaque para a delação de 11 executivos da empreiteira Andrade Gutierrez, que assumiram que pagaram despesas com fornecedores da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010. O pagamento, ilícito, foi feito por meio de contrato fictício de prestação de serviço, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Esta é a primeira citação direta de irregularidade apurada pela Lava Jato e que envolve uma campanha da presidente.
Para a equipe da Arko, esta notícia deve acelerara a ruptura da presidente com o PT, além de colocar maior pressão sobre o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o processo de impeachment de Dilma. Além disso, a informação desta manhã de que o empreiteiro Marcelo Odebrecht teria autorizado os diretores da empresa a realizarem delações premiadas, também favorece para um cenário mais otimista do mercado.
Completando o noticiário, foi divulgado durante a tarde que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,043 bilhões no mês passado, um recorde para fevereiro, em meio ao cenário de recessão econômica e dólar elevado que acaba impulsionando as vendas para fora.
As exportações somaram US$ 13,348 bilhões no mês passado, enquanto as importações ficaram em US$ 10,305 bilhões, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Com isso, o resultado acumulado nos dois primeiros meses do ano é positivo em US$ 3,965 bilhões.