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SÃO PAULO – A crise subprime dá trégua e o mercado brasileiro engata um forte ritmo de recuperação. Mais do que retomar os patamares anteriores à turbulência nas bolsas globais, o Ibovespa renovou sua máxima de pontos nos quatro pregões desta semana.
Tamanha recuperação não se limita apenas ao índice. O dólar comercial, que chegou perto dos R$ 2,10 no auge da crise, encerrou os negócios na última quinta-feira (28) em R$ 1,843, levando a divisa norte-americana a desvalorização de 13,76% frente ao real em 2007.
A percepção geral dos analistas de mercado é que, apesar de suscetível a correções de curto prazo, a trajetória declinante do dólar comercial não deve se alterar.
Junto ao fluxo de capital externo que o forte desempenho da bolsa brasileira atrai e do balanço de pagamentos superavitário, as expectativas de que o país alcance o investment grade, a melhora de cenário macroeconômico e a tendência de aumento do spread entre o juro básico doméstico e o de países desenvolvidos são os fatores que justificam tal percepção.
Até quanto?
A perspectiva é de que a moeda dos EUA tem espaço para queda adicional, mas quanto? Na avaliação da AGK Corretora de Câmbio, no curto prazo o dólar pode tentar romper o patamar de R$ 1,83 em direção aos R$ 1,80.
No entanto, a corretora aposta que, passada a formação da Ptax (que ocorrerá nesta sessão) o Banco Central deva retomar os leilões de compra de dólares no mercado à vista nos leilões de swap cambial reverso.
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Combinando as operações da autoridade monetária com o fato de que o baixo nível de preços atrai os compradores, a queda nas cotações da moeda podem ser limitadas. “Para os próximos dias, a volta do BC às compras será crucial para que a moeda não se aproxime dos R$ 1,80, se não houver nenhuma piora importante no ambiente externo”, conclui a AGK.
Brasil descolado do cenário externo
A AGK tocou em um ponto mais do que relevante: ambiente externo. A recente retomada do ritmo de desvalorização da moeda norte-americana em grande parte deve-se à amenização dos temores em torno dos desdobramentos da crise subprime.
Uma melhor avaliação dos fundamentos por trás da recuperação dos mercados domésticos ganha relevância adicional se considerarmos que, no Brasil, este movimento é mais forte do que nos demais mercados globais.
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A NGO Corretora não se assusta com o fato de o ambiente doméstico mostrar vigor bem mais intenso do que os demais mercados. “Neste momento, não se vislumbram fatores negativos que possam afetar o movimento de revigoração, com maior intensidade, do mercado financeiro brasileiro em seus vários segmentos, que opera descolado do ambiente externo”, diz a instituição.
A corretora enxerga um panorama “extremamente benigno” para o Brasil no cenário internacional, o que o deixa relativamente descolado da crise e numa posição confortável diante dos temores que ainda giram em torno da economia norte-americana.