Dólar comercial termina em forte avanço com tensão externa agravada

Moeda norte-americana fecha em alta após Bear Stearns assumir problema de liquidez e sinalizar que crise de crédito não acabou

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SÃO PAULO – O dólar comercial encerrou em alta nesta sexta-feira (14) com a volta dos problemas enfrentados por bancos pela falta de liquidez. Dessa vez, foi o Bear Stearns o responsável pela retomada das tensões.

O banco admitiu estar com sérios problemas de caixa e vai contar com ajuda do Federal Reserve (Fed) e do JP Morgan. Por meio da janela de redesconto, o Fed de NY irá emprestar ao JP Morgan recursos que serão repassados ao Bear Stearns e estarão disponíveis por 28 dias.

Temores renovados

O problema levanta a hipótese de que outras instituições financeiras estejam em condições semelhantes, o que abala a confiança dos investidores e aumenta as dúvidas em relação à extensão da atual crise.

Na opinião de Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK, “não é possível visualizar ainda se o pior da atual crise de crédito já passou. E o pior, o problema fundamental da solvência dos bancos não foi abordado pelo Fed ou pelos demais bancos centrais”.

No Brasil

Internamente, investidores avaliam a possibilidade de alta na taxa Selic, apontada na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Caso isto ocorra, a cotação do dólar volta a perder terreno ante o real, pois a arbitragem seguirá forte. A diferença entre os juros praticados no Brasil e no exterior atrai divisas para o mercado doméstico.

Leilão do BC

O Banco Central realizou leilão de compra de dólares no mercado à vista com taxa de corte em R$ 1,7150. Operadores relataram que pelo menos uma proposta foi aceita.

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Após a operação, a moeda norte-americana ampliou a valorização em relação ao real.

Confira as cotações

O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7120 na compra e R$ 1,7130

na venda, forte alta de 1,24% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
1,9500, representando um ágio de 13,90%
em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o
dólar acumula valorização de 1,30% em março, frente
à baixa de 0,14% registrada no mês passado.

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No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 3,55%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em abril
encerrou o dia cotado a R$ 1.727,
forte alta de 1,79% em relação ao fechamento
de R$ 1.697

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da última quinta-feira. O contrato com vencimento em maio, por sua vez, fechou em forte alta de 1,87%,
atingindo R$ 1.737 frente
à R$ 1.705 do fechamento de

ontem.

Já o dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F, fechou esta sessão cotado a R$ 1,7130.

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Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 4,19% para maio de 2008, queda de 0,13 ponto percentual em relação à cotação do último ajuste.