Dólar comercial sobe pelo terceiro dia seguido e fecha cotado a R$ 1,792

Indicadores ruins e pessimismo do Fed repercutiram nas cotações da moeda; agenda doméstica e intervenção do BaCen em foco

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SÃO PAULO – Após operar acima de R$ 1,80 durante o intraday, o dólar comercial amenizou sua trajetória no final do dia e fechou esta quarta-feira (23) cotado na venda a R$ 1,792 valorização de 0,56%. Foi a terceira alta consecutiva da moeda norte-americana, tendência esta favorecida pelo clima de apreensão nos mercados.

Em meio à manutenção já esperada do juro básico norte-americano nos patamares atuais, os investidores voltaram a ponderar sobre o verdadeiro ritmo de recuperação da economia mundial, por conta dos comentários mais pessimistas do Federal Reserve e dos indicadores decepcionantes da agenda internacional. Esse cenário contribuiu para que aumentasse a procura nos mercados por dólar, tendo em vista seu caráter mais seguro em momentos de incerteza.

Pouco antes do encerramento das negociações, o Banco Central do Brasil realizou mais um leilão de compra de dólares no mercado cambial. A operação ocorreu entre 15h48 e 15h58 (horário de Brasília) e teve uma taxa de corte aceita em R$ 1,7912. Ainda sobre essas intervenções, o BaCen informou que, até o dia 18 de junho, fora adquiridos US$ 1,485 bilhão no mercado à vista, totalizando desde o início do ciclo de intervenções (maio de 2009) cerca de US$ 41,9 bilhões.

Incertezas internacionais
Sem surpreender aos mercados, o Fomc (Federal Open Market Committee), comitê de mercado aberto do Fed, manteve o juro básico dos EUA na faixa entre 0% e 0,25% ao ano pela 13ª vez consecutiva. Contudo, apesar de voltar a dizer que o juro será mantido nesse nível por “um longo período de tempo”, o Fed afirmou que as condições financeiras se tornaram menos favoráveis a uma recuperação da economia, refletindo especialmente acontecimentos nos mercados externos.

Somado a isso, a pauta de indicadores também não trouxe novidades positivas. Nos EUA, foram vendidas 300 mil novas casas em maio, número inferior àquele revisado do mês de abril (446 mil) e às expectativas do mercado (430 mil). Já na Europa, os setores de serviço e indústria da Zona do Euro mostraram desaceleração durante o mês de junho.

Brasil: fluxo cambial e crédito
Ainda por aqui, o fluxo cambial mostrou que a saída de dólares do País superou a entrada em US$ 3,548 bilhões nos primeiros 13 dias úteis de junho, encerrados no dia 18. Com isso, o saldo positivo acumulado em 2010 caiu para US$ 4,094 bilhões. Já a Nota da Política Monetária mostrou que o volume concedido de crédito alcançou R$ 1,5 trilhão em maio, número 19% maior do que aquele relatado no mesmo mês de 2009.

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Dólar a R$ 1,792
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7900 na compra e R$ 1,7920 na venda, alta de 0,56% em relação ao fechamento anterior. Apesar desta alta, o dólar acumula desvalorização de 1,59% em junho, frente à alta de 4,78% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 2,92%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em julho  encerrou o dia cotado a R$ 1.791, estável em relação ao fechamento de R$ 1.791 da última terça-feira. O contrato com vencimento em agosto, por sua vez, fechou em alta, atingindo R$ 1.805 frente à R$ 1.802 do fechamento de ontem.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,790000.

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FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,60 para agosto de 2010, estável em relação ao que foi registrado na sessão anterior.