Dólar comercial segue operando em alta após medidas e leilão do BC

Além do noticiário interno, mercado avalia também novos indicadores sobre o mercado de trabalho norte-americano

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SÃO PAULO – O dólar comercial segue operando no campo positivo, com alta de 0,60%, cotado à R$ 1,6850 na venda no início da tarde desta quinta-feira (6). O mercado repercute a medida anunciada nesta manhã pelo Banco Central, que vai exigir compulsório dos bancos nas posições vendidas no mercado de câmbio.

O BC anunciou que vai recolher dos bancos brasileiros, sob forma de depósito compulsório, 60% do valor das posições de câmbio vendidas em dólar que excederem US$ 3 bilhões ou o seu patrimônio de referência.

Segundo o diretor de política monetária da instituição, Aldo Mendes, a medida visa reduzir os US$ 16,8 bilhões de posições vendidas dos bancos brasileiros, para aproximadamente US$ 10 bilhões, segundo afirmado em entrevista coletiva. As instituições bancárias do País terão até 4 abril para se adaptar à “medida de caráter prudencial”, conforme classificou Mendes.

Nesta sessão, o Banco Central segue com a rotina de compras de dólares no mercado à vista. A primeira intervenção da autoridade monetária desta quinta-feira aconteceu entre 12h19 e 12h24, com taxa de corte de R$ 1,6832.

Efeito no curto prazo
A avaliação dos analistas de mercado, em geral, é de que a medida do Governo deve ter efeito na cotação do real, reduzindo a valorização da moeda. Entretanto, a ressalva fica por conta do efeito limitado que essa medida teria. O argumento é de que o fluxo de capital em direção ao Brasil deve continuar elevado, em função do diferencial das taxas de juros e o crescimento da economia e, assim, no médio prazo a tendência continua sendo de apreciação do real.

Segundo André Perfeito, economista da Gradual, existe a possibilidade de que esteja em curso “uma alteração importante na condução política econômica do País”. Para ele, a medida desta manhã pode sinalizar que, em meio a relutância do Governo em aumentar os juros, o instrumental tradicional de política monetária – taxa básica de juros – deve ser substituído por ferramentas de ordem quantitativa, onde se destacam o aumento do recolhimento compulsório e o aperto fiscal.

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Uma recuperação do dólar não somente em relação ao real como também frente a outras moedas, segundo o economista, poderia ser impulsionada com a recuperação da economia norte-americana, em especial do mercado de trabalho.

Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA
Assim, os investidores avaliam com atenção os dados sobre o mercado de trabalho dos EUA. Nesta sessão, foi divulgado o Initial Claims, que mensura semanalmente o número de pedidos de auxílio-desemprego. O indicador veio pior do que o esperado pelo mercado ao apontar 409 mil pedidos na última semana, ante expectativas de 405 mil.

Ainda neste tema, vale lembrar que a criação de postos no setor privado ficou bem acima do que era esperado em dezembro. Na próxima sessão, serão divulgados dados sobre a taxa de desemprego e os empregos gerados na economia norte-americana excluindo o setor agrícola.

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Dólar futuro na BM&F
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em fevereiro é cotado a R$ 1,694, alta de 0,65% em relação ao fechamento de R$ 1,683 da última quarta-feira. O contrato com vencimento em março, por sua vez, opera em leve baixa de 0,12%, atingindo R$ 1,693 frente a R$ 1,695 do fechamento de quarta-feira.