Dólar comercial segue em alta, em sessão carregada de referências econômicas

Mercado assimila conteúdo da ata do Copom e novidades da Fazenda de estímulo ao crédito, além de dados da agenda norte-americana

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SÃO PAULO – Com o mercado brasileiro enfrentando mais um dia de aversão ao risco, o dólar comercial estende o movimento de alta visto na véspera e inicia a tarde desta quinta-feira cotado a R$ 1,7050 na venda, alta de 0,24%. As atenções se dividem entre as referências internacionais – com indicadores nos EUA tanto acima quanto abaixo do esperado e também  reunião dos líderes da União Europeia – e domésticas – com novidades do governo para incentivo de emissões de renda fixa de longo prazo e ata do Copom.

Na visão de Julio Hegedus, economista da Interbolsa, o teor da ata do último encontro do Copom foi ambíguo. “[O comitê] falou que observará os efeitos das medidas macroprudenciais, mas ao mesmo tempo se mostrou preocupado com a inflação ascendente. Na verdade, não deixou muito claro se teremos ou não elevação da taxa de juros na reunião do Copom de janeiro”, diz o economista em relatório.

Outra novidade que o mercado assimila nesta quinta-feira são os anúncios feitos pelo Ministério da Fazenda na noite passada, com desoneração do financiamento privado para projetos de infraestrutura, o desenvolvimento do mercado de títulos privados de longo prazo, o estímulo à recuperação de crédito rural e crédito pessoal e o incentivo à securitização de créditos imobiliários.

Agenda econômica dos EUA
Nos EUA, o Initial Claims, que mede o número de pedidos de auxílio desemprego, teve desempenho melhor que o esperado: 420 mil pedidos ante projeção de 425 mil pedidos. Na mesma linha, o Housing Starts, que mede o número de imóveis em início de construção nos EUA, registrou 555 mil novas residências, conforme dados anualizados, batendo as projeções do mercado de 545 mil imóveis.

Outro dado que superou as expectativas do mercado foi o da atividade industrial do Federal Reserve da Filadélfia. O indicador marcou 24,3 pontos em dezembro, enquanto que o mercado esperava por 13 pontos.

Em direção oposta, o Building Permits registrou 530 mil permissões para construção de imóveis, ficando abaixo das expectativas dos analistas, que giravam em torno de 560 mil. Por fim, o déficit em conta corrente dos EUA também decepcionou, atingindo US$ 127,2 bilhões no terceiro trimestre deste ano. As projeções do mercado apontavam para um déficit de US$ 125,3 bilhões.

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Reunião da União Europeia
Além dos indicadores norte-americanos, os investidores ficam de olho também nos rumos da crise fiscal na Europa. Começou nesta quinta-feira em Bruxelas reunião dos líderes da União Europeia, que devem discorrer sobre os problemas que os países do continente vêm enfrentando e que também pode indicar novas medidas para fazer frente à crise.

Vale lembrar que na última sessão, a agência de classificação de risco Moody’s colocou em revisão o rating de crédito da Espanha, para possível rebaixamento.

Dólar futuro na BM&F
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em janeiro está sendo cotado a R$ 1.710, baixa de 0,32% em relação ao fechamento de R$ 1.702 da última segunda-feira. O contrato com vencimento em fevereiro, por sua vez, opera em baixa de 0,23%, atingindo R$ 1.722 frente a R$ 1.717 do fechamento de segunda-feira. 

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