Dólar comercial reflete tensão generalizada e dispara 7%

Em uma das piores sessões nos últimos 20 anos para a Bolsa brasileira, divisa opera no patamar de R$ 2,19

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SÃO PAULO – Em uma das sessões mais turbulentas nos últimos 20 anos, o dólar comercial disparou logo no início desta segunda-feira (6) impulsionado pelo pessimismo nos mercados pelo mundo. A divisa segue operando em intensa alta de 7%, cotada a R$ 2,19.

O motivo de apreensão generalizada está, principalmente, no setor financeiro europeu. O governo alemão ampliou em € 15 bilhões o apoio ao HRE (Hypo Real Estate), uma das maiores financiadoras de hipotecas no país, no domingo. Além disso, o estado daquele país anunciou a garantia a depósitos, procurando evitar uma possível corrida bancária.

Além da HRE, o banco Fortis foi arrematado às pressas pelo BNP Paribas em uma transação auxiliada pelo governo belga.

Os desdobramentos da crise de crédito dentro do continente europeu aumentam os temores de que o plano de salvamento elaborado por Bernanke e Paulson não seja suficiente para evitar maiores conseqüências na economia mundial.

Front interno

Seguindo a tendência do desempenho no vermelho, a Bolsa brasileira operou em fortíssima queda desde o início da sessão, chegando a ter suas negociações interrompidas duas vezes.

Após a segunda paralisação do dia, a BM&FBovespa ampliou para esta segunda-feira o limite de queda para o Ibovespa em até 20%.

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Leilão de contratos cambiais

Em resposta à intensa fuga de dólar do País, o Banco Central vendeu em leilão nesta segunda-feira 29,5 mil contratos de swap cambial, de uma oferta de 41,6 mil contratos. Na operação, a instituição assume posição vendedora em câmbio e compradora em juros.

O volume negociado equivale a um valor financeiro de US$ 1,470 bilhão e a venda de cerca de 71% da oferta de cerca de US$ 2,080 bilhões. Os contratos se iniciam na quarta-feira e vencem no dia 3 de novembro.

Projeções

O relatório Focus trouxe uma nova projeção à taxa cambial. O dólar comercial deve encerrar o ano cotado a R$ 1,80. No levantamento da semana passada, a perspectiva era de que fechasse 2008 a R$ 1,70.

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Confira as cotações

O dólar comercial opera cotado a R$ 2,1810 na compra e R$ 2,1830 na venda, forte alta de 6,70% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana opera negociada a R$ 2,1500, representando um deságio de 1,42% em relação ao dólar comercial.

Com esta alta, o dólar acumula valorização de 14,53% em outubro, frente à alta de 16,67% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 22,92%.

Dólar futuro na BM&F Bovespa também opera em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em novembro opera cotado a R$ 2.192, forte alta de 6,51% em relação ao fechamento de R$ 2.058 da última sexta-feira. O contrato com vencimento em dezembro, por sua vez, opera em forte alta de 6,13%, atingindo R$ 2.200 frente à R$ 2.073 do último fechamento.