Dólar comercial recua 0,16% e interrompe sequência de duas altas

Discurso de Bernanke ganhou as atenções dos investidores; por aqui, Tesouro pretende comprar dólares no mercado interno

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SÃO PAULO – Após duas sessões consecutivas em valorização, o dólar comercial conheceu seu primeiro dia de queda na semana. Nesta quarta-feira (24), os mercados reagiram com otimismo aos eventos do dia, como o discurso de Bernanke a a pauta de indicadores econômicos, colaborando para que a moeda norte-americana recuasse 0,16%, fechando cotada na venda a R$ 1,824.

Em seu pronunciamento semestral no Congresso norte-americano, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, salientou que o nível elevado da taxa de desemprego continua sendo um fator de forte preocupação e que, apesar dos sinais de melhoria da situação econômica do país, o juro básico deverá se manter em níveis baixos por um longo período.

Por aqui, o Banco Central divulgou o fluxo cambial, mostrando que a saída de dólares superou a entrada em US$ 269 milhões nos 13 primeiros dias úteis de fevereiro. O resultado ocorreu graças ao saldo comercial, que ficou negativo em US$ 2,095 bilhões no período, ofuscando o saldo positivo de US$ 1,827 bilhão do saldo financeiro. No acumulado em 2010, o desempenho continua superavitário em US$ 806 milhões.

Dólar pode ganhar um novo comprador
A autoridade monetária ainda anunciou a realização de um novo leilão de compra de dólares, realizado entre as 14h46 e as 14h56 (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita em R$ 1,8195. O Bacen ainda informou que o total adquirido desde o início desse ciclo de intervenções – em maio de 2009 – até o dia 19 de fevereiro já somam US$ 29,488 bilhões, elevando as reservas internacionais para US$ 240,422 bilhões.

Ainda no âmbito de compra da divisa estrangeira, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse que o FSB (Fundo Soberano do Brasil) está pronto para adquirir dólares no mercado interno a qualquer momento. ” O governo está atento e está deixando o FSB pronto porque acha que pode ser um bom instrumento contra a volatilidade excessiva no mercado de câmbio. Se achar que há excessos, vai tomar medidas ” , frisou Arno.

Agenda internacional
Na agenda internacional, as vendas de casas novas nos EUA recuaram de 348 mil para 309 mil entre novembro e dezembro, enquanto os analistas esperavam um avanço para 354 mil moradias vendidas. Ainda na principal economia do mundo, os estoques de petróleo avançaram em 3 milhões de barris na última semana, crescimento maior do que o previsto.

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Passando para a Europa, o PIB (Produto Interno Bruto) da Alemanha ficou estável durante o quarto trimestre, conforme a última prévia oficial divulgada nesta manhã, trazendo temores quanto ao desempenho do velho continente, tendo em vista a importância dessa economia para a região.

Dólar a R$ 1,824
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,8220 na compra e R$ 1,8240 na venda, baixa de 0,16% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 1,9500, representando um ágio de 7,03% em relação ao dólar comercial.

Com esta queda, o dólar acumula desvalorização de 3,34% em fevereiro, frente à alta de 8,37% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 4,76%.

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Dólar futuro na BM&F também fechou em queda
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em março  encerrou o dia cotado a R$ 1.827, leve baixa de 0,03% em relação ao fechamento de R$ 1.828 da última terça-feira. O contrato com vencimento em abril, por sua vez, fechou em leve baixa de 0,14%, atingindo R$ 1.839 frente à R$ 1.842 do fechamento de ontem.