Dólar comercial quebra ciclo de cinco baixas seguidas e termina em forte alta

Além de pressão por ajuste, moeda refletiu desconforto trazido pelo anúncio de novo plano de ajuda a bancos nos EUA

Publicidade

SÃO PAULO – Depois de cinco quedas consecutivas, o dólar comercial cedeu a um movimento de ajuste, intensificado pelas tensões presentes nos mercados nesta terça-feira (10), e fechou em alta de 2,14%, a R$ 2,286. O Banco Central segue sem anunciar nenhuma nova intervenção no mercado cambial.

Apesar da agenda econômica doméstica modesta, o cenário externo trouxe diversas ocorrências de peso. Destaque para o anúncio do novo plano de socorro aos bancos norte-americanos, feito por Timothy Geithner, secretário do Tesouro, no início da tarde.

Dando ênfase à importância na participação do capital privado para recuperação do sistema financeiro, o plano anunciado por Geithner prevê a criação de um fundo de investimento público-privado para a compra de ativos podres de instituições financeiras, em vez da criação de um bad bank. Além disso, o secretário do Tesouro disse que o governo Obama programa modificações na regulamentação do mercado financeiro.

As palavras de Geithner trouxeram desconforto aos mercados, ampliando as perdas nas principais bolsas globais, incluindo a brasileira, e intensificando o movimento de alta do dólar comercial.

Perto do encerramento das negociações no mercado cambial, o Senado norte-americano, em votação apertada, aprovou o pacote de estímulo à economia criado por Obama, orçado em US$ 838 bilhões. Por sua vez, Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, discursou em prol das medidas já adotadas pelo banco central dos EUA, além de listar as alternativas ainda em mãos da autoridade monetária no combate à crise.

Acompanhe as cotações

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,2840 na compra e R$ 2,2860

Continua depois da publicidade

na venda, forte alta de 2,14% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
2,4500, representando um ágio de 7,17%
em relação ao dólar comercial.
Apesar desta alta, o
dólar acumula desvalorização de 1,00% em fevereiro, frente
à baixa de 1,20% registrada no mês passado.

No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 2,18%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta

Continua depois da publicidade

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em março
encerrou o dia cotado a R$ 2.303,
forte alta de 2,17% em relação ao fechamento
de R$ 2.254

da última segunda-feira. O contrato com vencimento em abril, por sua vez, fechou em forte alta de 2,34%,
atingindo R$ 2.320 frente
à R$ 2.267 do fechamento de
segunda-feira.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,2830.

Continua depois da publicidade

FRA de cupom cambial

Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,60% para abril de 2009, 0,10 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.