Dólar comercial opera em leve alta de 0,09%, cotado a R$ 2,038 na venda

Deterioração do cenário doméstico incentiva evasão de moeda norte-americana; Indicadores europeus surpreendem positivamente

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SÃO PAULO – O dólar comercial opera em leve alta de 0,07% nesta segunda-feira, cotado a R$ 2,038 na venda. A valorização da moeda norte-americana reflete a aversão ao risco no mercado doméstico, ao passo que a economia brasileira emite sinais mais fortes de deterioração. 

Nesta manhã, analistas de mercado cortaram pela décima semana consecutiva as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) do país. Segundo o relatório Focus, do Banco Central, a expansão esperada é de 1,9% em 2012, consolidando resultado abaixo dos 2% pela primeira vez na pesquisa deste ano. Já a produção industrial ficará estável em comparação ao ano passado, registrando alta de apenas 0,09%.

Não obstante, o FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou as projeções para o crescimento global, mas o maior impacto foi sobre o Brasil. A expectativa de PIB foi reduzida em 0,6 ponto percentual. Ainda assim, o órgão está mais otimista que os analistas brasileiros, pois espera um avanço de 2,5% este ano no nível de atividades do país. 

O corte no Brasil é superior ao de outros emergentes, que viram suas projeções caírem apenas 0,1 ponto percentual para 2012. Isso só reforça a declaração de Jim O’Neil, presidente do conselho de administração da Goldman Sachs Asset Management. O criador do termo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) afirmou em entrevista à Dow Jones na semana passada que o B pode ter os dias contados na sigla.

“O desempenho do PIB não é tão crítico, mas, durante esta década, o Brasil terá que recuperar uma taxa de crescimento mais forte”, ponderou. “Caso contrário, o ‘B’ em ‘Bric’ ficará sem sentido”, complementou.

Sinais contraditórios nos EUA
Nos Estados Unidos, os investidores ponderam dois indicadores que vieram com sinais opostos nesta segunda. As vendas no varejo caíram 0,5% em junho, elevando as perdas do setor que, no mês anterior, registraram retração de 0,2%. Já na outra ponta, a atividade industrial em Nova York saltou 7,4% em julho, taxa bem superior aos 3,8% esperados pelo mercado.

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Enquanto isso, o mercado aguarda o Business Inventories, a ser divulgado às 11h (horário de Brasília).

As expectativas também se voltam para o relatório semestral do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, a ser divulgado antes de seu discurso perante o Comitê Bancário do Senado, na próxima terça-feira (17). Propostas de estímulos adicionais à economia do país são aguardadas.

Europa surpreende
Nesta manhã, a Europa surpreendeu positivamente. A inflação ao consumidor dos 17 páises-membros das Zona do Euro encerrou junho em 2,4%, dando margem ao BCE (Banco Central Europeu) para manter política de alívio monetério nas próximas reuniões. Vale destacar que o órgão reduziu a taxa de juros do bloco para o menor patamar histórico no encontro passado, a 0,75% ao ano.

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Já a balança comercial da Zona do Euro registrou superávit de € 6,9 bilhões em maio, uma alta de 86% sobre o resultado de abril. 

Nesta manhã, o FMI elevou as projeções de crescimento de países como Alemanha e Espanha, ambos em 0,4 ponto percentual. O primeiro país deve ver um salto de 1,0% na economia este ano, enquanto o segundo deve experimentar uma queda de 1,5%.

Apesar disso, o FMI alerta que a situação europeia continuará precária até que todas as medidas sejam adotadas. A recente deterioração no mercado de dívida soberana serve como alerta que essas medidas devem ser implantadas a tempo e que, junto com o progreso na união bancária e fiscal, estas devem ser as prioridades da Europa, afirma o relatório.
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