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SÃO PAULO – Mesmo com esforços pelo mundo para conter efeitos da crise financeira e atenuar pessimismo entre os investidores, sessão é marcada por novas perdas e dólar comercial fecha com intensa alta nesta terça-feira (7). Com valorização de 5,05%, a divisa atinge seu maior patamar desde maio de 2006.
Forte corte promovido pelo Banco Central da Austrália no juro básico do país amenizava as perdas da véspera, sustentando alta nas principais bolsas pela manhã, mesmo com a cautela ficando no pano de fundo. Além disso, novas medidas intervencionistas anunciadas pelo Fed, desta vez em relação ao mercado de commercial papers, também encontravam boa aceitação.
Com as novas expectativas do FMI (Fundo Monetário Internacional) prevendo um futuro sombrio para a crise, os temores entre os investidores foram renovados e as perdas também. O fundo acresceu drasticamente as projeções de perdas com o subprime de US$ 945 bilhões para US$ 1,4 trilhão.
Leilão de contratos cambiais
O destaque desta terça-feira fica com o Banco Central, que poderá comprar carteira de crédito de bancos de pequeno e médio porte para assegurar a liquidez no sistema financeiro brasileiro. A nova prerrogativa foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de MP (Medida Provisória).
A autoridade monetária vendeu em leilão nesta tarde US$ 700 milhões, com compromisso de recompra da moeda no dia 7 de janeiro de 2009. Como a oferta total foi de até US$ 1 bilhão, o BC vendeu 70% dela. Segundo o comunicado do BC, os dólares foram vendidos para cinco bancos com taxa de R$ 2,30 e taxa máxima de recompra pelo BC a R$ 2,347465.
Outra intervenção praticada pela autoridade monetária no mercado cambial foi, a exemplo da operação realizada na véspera, mais um leilão de contrato de swap cambial tradicional. A operação absorveu parcialmente os dois lotes ofertados, o que equivale a aproximadamente US$ 1,359 bilhão.
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Discurso de Bernanke
Já a ata da última reunião do Federal Reserve foi colocada em segundo plano com discurso de Ben Bernanke. O presidente do banco central norte-americano esclareceu que a crise atual deve melhorar somente no próximo ano e que, dada a magnitude que parece alcançar, o Fed pode voltar a realizar cortes na taxa básica de juro dos EUA.
Bernanke afirmou ainda que as intervenções realizadas pela Secretaria do Tesouro e pelo Fed vieram a tempo de conter maiores estragos da crise. “Com os recentes acontecimentos, o Federal Reserve precisa analisar se sua atual política monetária se mantém apropriada”, acrescentou.
Cenário doméstico
Por aqui, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que 6 de 14 regiões pesquisadas mostraram recuo na produção industrial entre julho e agosto. Além disso, o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) apurou inflação de 0,36% em setembro, 0,74 ponto percentual superior à de agosto.
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Confira as cotações
O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,3090 na compra e R$ 2,3110 na venda, forte alta de 5,05% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 2,2500, representando um deságio de 2,56% em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o dólar acumula valorização de 21,25% em outubro, frente à alta de 16,67% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 30,12%.
Dólar futuro na BM&F Bovespa também fechou em alta
Na BM&F Bovespa, o contrato futuro com vencimento em novembro encerrou o dia cotado a R$ 2.324, forte alta de 6,00% em relação ao fechamento de R$ 2.192 da última segunda-feira. O contrato com vencimento em dezembro, por sua vez, fechou em forte alta de 5,79%, atingindo R$ 2.338 frente à R$ 2.210 do último fechamento.
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O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,3120000.
Curva de FRA de cupom cambial
O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 5,50% para dezembro de 2008, 0,25 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.