Dólar comercial interrompe sequência de três altas e fecha em baixa de 0,11%

Moeda não conseguiu manter a valorização vista de manhã, apesar do clima tenso nos mercados

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SÃO PAULO – Apesar do sentimento de aversão ao risco ter voltado a tomar conta dos mercados, o dólar comercial não conseguiu manter sua sequência de altas nesta terça-feira (24). Após registrar ganhos de mais de 0,5% no começo do dia, a moeda passou a operar bem próxima da estabilidade durante a tarde, mantendo-se no campo negativo na reta final de negócios. Com queda de 0,11%, o dólar comercial interrompeu uma sequência de três valorizações consecutivas, fechando cotado na venda a R$ 1,765.

Com a pauta econômica internacional carregada de referências negativas, os investidores permaneceram menos dispostos a tomarem posições de risco, contribuindo para a forte queda nas principais bolsas do mundo. Apesar desse cenário propiciar uma maior demanda por dólar, o movimento de realização dos ganhos acumulados nas últimas três sessões acabou prevalecendo nos mercados, pressionando as cotações da moeda.

No front doméstico, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado cambial à vista. A operação ocorreu entre as 15h40 e as 15h50 (horário de Brasília) e teve uma taxa de corte aceita em R$ 1,764. Ainda por aqui, destaque para o crescimento de 1,2% no volume total de crédito do sistema financeiro na passagem de junho para julho, segundo a Nota da Política Monetária do BaCen.

Pessimismo internacional
No cenário internacional, o destaque ficou com as perspectivas cada vez mais negativas acerca da economia dos  Estados Unidos. Na agenda econômica, o Existing Home Sales apontou a venda anualizada de 3,83 milhões de casas usadas nos EUA em julho, número bem abaixo das estimativas do mercado, de 4,72 milhões, e do mensurado em junho (5,26 milhões).

Reforçando ainda mais os temores do mercado quanto à situação econômica do país, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, afirmou que o risco de um duplo mergulho da economia dos EUA avançou nos últimos seis meses, frente à fragilidade tanto do mercado de trabalho quanto de imóveis. Vale mencionar ainda que o vencedor do Prêmio Nobel, Joseph Stiglitz, disse que a economia da Europa corre risco de trilhar uma recuperação em forma de W.

Dólar a R$ 1,765
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7630 na compra e R$ 1,7650 na venda, leve baixa de 0,11% em relação ao fechamento anterior. Apesar desta queda, o dólar acumula valorização de 0,51% em agosto, frente à baixa de 2,66% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 1,37%.

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Dólar futuro na BM&F também fechou em queda
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em setembro  encerrou o dia cotado a R$ 1.767, baixa de 0,37% em relação ao fechamento de R$ 1.773 da última segunda-feira. O contrato com vencimento em outubro, por sua vez, fechou em baixa de 0,34%, atingindo R$ 1.779 frente à R$ 1.785 do fechamento de ontem.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,7633000.

FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,75 para outubro de 2010, 0,05 ponto percentual acima do que foi registrado no fechamento anterior.